Ao contrário do quadro de paralisia ou derrota política que algumas análises, inclusive na imprensa, tentam projetar sobre o segundo ano da gestão Lula, o Congresso Nacional acabou desempenhando um papel central em 2025 na sustentação das finanças públicas, assegurando instrumentos e recursos que permitiram ao Executivo responder, ainda que imperfeitamente, aos desafios econômicos do ano.
A dinâmica entre Executivo e Legislativo foi de fato marcada por conflitos — incluindo a derrubada, em junho, de um decreto presidencial que visava aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em cerca de R$ 61 bilhões para 2025–2026, numa derrota simbólica do Planalto no plenário da Câmara. Contudo, essa mesma relação conflituosa não pode ser reduzida a uma simples narrativa de obstrução: ao longo de 2025, o Congresso autorizou a liberação de bilhões de reais em crédito suplementar ao governo, mitigando tensões fiscais e reforçando gastos sociais e previdenciários essenciais.
Em novembro, por exemplo, o Parlamento aprovou o PLN 14/2025, que permitiu ao governo federal dispor de R$ 34,3 bilhões acima da chamada regra de ouro do Orçamento para financiar despesas correntes — incluindo benefícios previdenciários e o Bolsa Família — mediante autorização específica dos parlamentares. A votação teve ampla maioria favorável na Câmara (343 votos a favor, 67 contra e uma abstenção) e unanimidade no Senado (59 votos), demonstrando que, mesmo em meio a críticas, o Legislativo pode e decidiu assegurar instrumentos de financiamento ao Executivo exatamente em um momento de aperto fiscal.
Esse movimento tem implicações práticas importantes para a economia. A autorização de recursos fora da regra tradicional do Orçamento significa que o governo conseguiu liberar caixa para honrar compromissos sociais e manter a assistência a milhões de brasileiros num contexto de desaceleração econômica global — enquanto ainda lida com trancos e barrancos no cumprimento das metas fiscais do chamado novo arcabouço fiscal, regime que substituiu o teto de gastos anterior e que em teoria permite maior flexibilidade fiscal condicionada à sustentabilidade estrutural. 
É também relevante destacar que o Congresso aprovou, em suas comissões, o texto-base da Lei Orçamentária de 2026, prevendo centenas de bilhões de reais para áreas como educação — mais de R$ 230 bilhões apenas para o Ministério da Educação — sem cortes significativos em relação aos valores encaminhados pelo governo. Esse esforço legislativo, embora ainda sujeito a negociações posteriores, representa uma recomposição substancial de recursos que vão da oferta de serviços públicos a investimentos estratégicos nos próximos anos. 
Portanto, mais do que um Legislativo “fiscalizador estritamente opositor”, a atuação do Congresso em 2025 deve ser vista como parte de uma negociação institucional complexa em que o Parlamento, ao mesmo tempo em que rejeitou parcelas específicas da agenda fiscal do Executivo, não hesitou em autorizar recursos fundamentais para o funcionamento do Estado e para a preservação das políticas sociais. Esse contexto amplia a compreensão do que significa “dificuldade com o Congresso”: não uma capitulação completa do governo, mas sim um equilíbrio de poderes que assegura tanto contrapesos quanto cooperatividade em momentos críticos.
Em outras palavras, o Legislativo não apenas atrapalhou, mas também financiou o governo em pontos essenciais, contribuindo efetivamente para a sustentação econômica do país em um ano de desafios orçamentários e incertezas macroeconômicas — cenário que não se traduz de forma simples em vitória ou derrota unilateral de qualquer dos ramos de poder.

