O ex-ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes afirmou que a diplomacia brasileira deveria atuar de forma mais direta para defender a convocação de novas eleições na Venezuela.
A avaliação foi feita em entrevista à CNN Brasil, poucos dias após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos.
Segundo Nunes, a postura do Brasil deveria priorizar a defesa de um processo eleitoral amplo e transparente. Ele citou como referência o pleito brasileiro de 1989, quando eleições diretas ajudaram a encerrar um longo período de instabilidade política.
Na visão do ex-chanceler, insistir apenas no reconhecimento do governo interino, sem mencionar eleições, limita a capacidade diplomática do Brasil de contribuir para uma solução duradoura no país vizinho.
O que muda com a saída de Maduro?
Com a ausência do chefe do Executivo, a vice-presidente Delcy Rodríguez passou a exercer o cargo de forma interina, com apoio das Forças Armadas e aval do Supremo Tribunal venezuelano, como apurado pelo O Brasilianista.
De acordo com a legislação venezuelana, quando há vacância definitiva da Presidência, novas eleições devem ocorrer em até 90 dias. Até o momento, esse procedimento não foi anunciado pelo governo interino.
A ausência dessa definição mantém dúvidas sobre a duração do mandato provisório e alimenta discussões internacionais sobre a legitimidade do atual comando político em Caracas.
Pressão internacional
Como notíciado pelo O Brasilianista, o presidente Donald Trump declarou que não descarta novas ações militares, caso considere necessário. Já o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que Washington pretende usar instrumentos econômicos, como restrições ao setor de petróleo, para pressionar a Venezuela.
No campo multilateral, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, alertou que a operação americana pode gerar impactos graves na estabilidade da América do Sul, aumentando o risco de tensões regionais.

