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Geopolítica

Saiba como Nicolás Maduro se manteve no poder na Venezuela por mais de uma década

A permanência no cargo foi marcada por alianças estratégicas, controle das instituições e repressão a críticos

Saiba como Nicolás Maduro se manteve no poder na Venezuela por mais de uma década

Nicolás Maduro chegou ao Palácio de Miraflores como sucessor de Hugo Chávez, mas permaneceu no poder por mais de uma década apoiado em um conjunto de estratégias que combinaram controle institucional, repressão a adversários, alianças internacionais e uso intenso de propaganda oficial.

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Eleito em uma disputa apertada após a morte de Chávez, o então presidente enfrentou desconfiança interna e crises sucessivas. Para se manter no cargo, concentrou decisões, neutralizou opositores e reforçou a lealdade das Forças Armadas, mesmo diante de forte rejeição popular e pressão externa.

A seguir, os principais pilares que explicam como Maduro conseguiu atravessar crises políticas, econômicas e diplomáticas sem deixar o poder, segundo o G1.

Ascensão dentro do chavismo

Antes de entrar para a política nacional, Maduro era motorista de ônibus em Caracas. Sua trajetória mudou ao se filiar ao movimento liderado por Hugo Chávez, ainda nos anos 1990. Enviado a Cuba, teve contato direto com o modelo político de Fidel Castro, experiência que mais tarde influenciaria sua forma de governar.

Durante o governo Chávez, ocupou cargos estratégicos, como o Ministério das Relações Exteriores. Nessa função, fortaleceu laços com países considerados aliados ideológicos, como Cuba, Rússia e Irã. Com a saúde debilitada, Chávez o apontou como sucessor, decisão que garantiu a Maduro a estrutura política necessária para disputar e vencer a eleição.

O petróleo foi central nesse processo. A renda da estatal PDVSA financiou programas sociais que ampliaram a base de apoio do chavismo por anos. “Nós diminuímos a pobreza de 70% para 7%. Foram avanços sociais importantes”, diz Rafael Ramirez, então ministro do Petróleo do governo Chávez.

Centralização e repressão

Após assumir a presidência, Maduro passou a enfrentar resistência dentro e fora do país. Para conter ameaças, ampliou o controle sobre instituições-chave e fortaleceu os serviços de inteligência. O general Manuel Figuera foi colocado à frente desse aparato.

“Ele passou a usar essa força como polícia política. Era pra ele como a GESTAPO estava para o Hitler. Me mandou colocar todos seus oponentes sob vigilância. Queria saber o que todos estavam fazendo”, conta Figuera.

Antigos aliados também se tornaram alvos. Rafael Ramírez, figura central do chavismo, acabou rompendo com o governo e deixou o país. “Ele mandou me prenderem. Porque ele achou que eu era uma pessoa que poderia tomar o lugar dele. Ele invadiu minha casa e me forçou a me exilar”.

A repressão se intensificou após 2015, quando o governo perdeu a maioria no Parlamento. A então procuradora-geral Luisa Ortega rompeu com o Planalto venezuelano ao denunciar abusos cometidos por forças de segurança. “Mais de oito mil venezuelanos foram executados pela polícia e pelo Exército”, afirmou.

Pressão externa e jogo internacional

A crise econômica, agravada pelo colapso da indústria do petróleo e pela corrupção na PDVSA, colocou o governo sob forte pressão internacional. Sanções impostas pelos Estados Unidos ampliaram o isolamento do país e aprofundaram a recessão.

Em 2016, Washington passou a apoiar o opositor Juan Guaidó como liderança legítima, em uma tentativa de forçar a saída do presidente. A estratégia, no entanto, fracassou. Segundo relatos de bastidores, o apoio de aliados estrangeiros foi decisivo para evitar o colapso do regime.

“Acho que maduro e sua mulher queriam ir embora. Mas os russos e cubanos os mandaram ficar. Porque sabiam que se ele saísse o regime colapsaria muito rapidamente”, afirma John Bolton, ex-conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca.

Com a guerra na Ucrânia e a necessidade de novas fontes de energia, os Estados Unidos aliviaram restrições ao petróleo venezuelano durante o governo Joe Biden. A mudança devolveu relevância internacional a Caracas e deu novo fôlego político ao governo, que voltou a ser cortejado por países ocidentais.

Propaganda como ferramenta de poder

Além da repressão e das alianças externas, a propaganda oficial se tornou peça-chave para manter apoio interno. O governo investiu em campanhas para reforçar a imagem do presidente como defensor do povo e criou símbolos populares, como o personagem animado “Super Bigode”.

Entre controle institucional, narrativa oficial e rearranjos geopolíticos, Maduro conseguiu atravessar mais de uma década no comando do país. O futuro, porém, segue em aberto, diante do desgaste social e das incertezas políticas.

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