Moradores de diferentes cidades do Pará relataram tremores na noite desta quarta-feira (24), após um terremoto de magnitude 7,5 atingir a Venezuela.
Em Belém e Santarém, alguns prédios foram evacuados por precaução enquanto equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil realizaram vistorias para verificar possíveis danos estruturais.
Ao todo, os tremores foram percebidos durante o jogo entre Brasil e Escócia pela Copa do Mundo de 2026, e a operação mobilizou órgãos municipais e estaduais para acompanhar a situação.
Terremoto na Venezuela
Abalos foram sentidos em diferentes bairros de Belém, como Umarizal, Cremação, Batista Campos e Pedreira.
Moradores de Santarém também relataram movimentação de móveis, luminárias e outros objetos dentro dos apartamentos. As equipes dos bombeiros realizaram inspeções em edifícios da cidade, incluindo elevadores e estruturas, depois que moradores deixaram os imóveis por receio de novos tremores.
Após as vistorias, diversos prédios foram liberados para o retorno dos moradores por não apresentarem danos aparentes.
O terremoto teve epicentro na cidade venezuelana de Montalbán, a cerca de 168 quilômetros de Caracas, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
Além do Pará, moradores de Manaus também relataram ter sentido reflexos do fenômeno, o que demonstra como terremotos de grande magnitude podem produzir ondas sísmicas perceptíveis a centenas de quilômetros de distância.
Destruição se concentrou na Venezuela
Dois terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram a Venezuela com intervalo de apenas 39 segundos, provocando desabamentos de prédios, interrupção de serviços públicos e milhares de pessoas deixando suas residências.
O balanço divulgado pelo governo venezuelano apontava, até a madrugada desta quinta-feira (25), ao menos 32 mortos e mais de 700 feridos, enquanto equipes de resgate continuavam atuando nas áreas atingidas.
A presidente interina Delcy Rodríguez decretou estado de emergência em todo o país, suspendeu aulas e serviços considerados não essenciais e determinou o fechamento do aeroporto internacional de Maiquetía.
Também foi feito um chamado para que profissionais da área da saúde reforçassem o atendimento às vítimas.
Em Caracas, bairros como Chacao, Altamira e Palos Grandes registraram parte dos maiores danos, enquanto os serviços de metrô e trem foram interrompidos.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos avaliou que o terremoto apresentava potencial para provocar danos de grande extensão, embora os levantamentos sobre vítimas e prejuízos continuassem em atualização.
O tremor também foi sentido na Colômbia, onde moradores deixaram edifícios por precaução, mas as autoridades locais informaram inicialmente não haver registro de emergências relacionadas ao fenômeno.
Atualizações mais recentes do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicam probabilidade de 39% de que o número de mortes fique entre mil e 10 mil, baixando de 44% para 37% o risco de que fiquem entre 10 mil e 100 mil.
Por que terremotos semelhantes causam prejuízos diferentes
O Brasilianista destacou que a magnitude do terremoto, por si só, não determina o tamanho das perdas econômicas provocadas por um desastre natural.
Segundo o administrador e especialista em finanças Alecio Alvico Teixeira Júnior, os impactos são calculados a partir dos danos diretos.
“Os prejuízos vêm de duas frentes, danos diretos, que são os ativos destruídos, e danos indiretos, que representam tudo aquilo que deixou de ser produzido após o desastre”, destacou.
Ao explicar como especialistas estimam essas perdas, Teixeira Júnior observa que imagens de satélite, intensidade dos tremores, densidade populacional e valor dos ativos atingidos fazem parte dos modelos utilizados internacionalmente.
“Um terremoto igual pode custar milhões ou trilhões dependendo de onde atinge”, afirma, ao destacar que regiões altamente urbanizadas ou com grande concentração industrial tendem a registrar prejuízos muito superiores aos de áreas menos desenvolvidas.
Na avaliação do especialista, a preparação realizada antes de um desastre costuma ter influência maior sobre a velocidade da recuperação econômica do que a própria intensidade do terremoto.
“Terremoto a gente não controla, mas o tamanho do estrago é totalmente moldado pelas escolhas que o país faz antes dele acontecer”, resume.

