Nesta segunda-feira (05), a Assembleia Nacional da Venezuela empossou Delcy Rodríguez como presidente interina do país. A cerimônia aconteceu poucos dias depois da operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
A troca no comando ocorre em um cenário de forte instabilidade, com manifestações nas ruas, incerteza institucional e debate internacional. As informações são do portal InfoMoney.
Como Delcy chegou ao comando do país?
Delcy Rodríguez ocupava o cargo de vice-presidente quando Maduro foi retirado do território venezuelano. Um dia após a operação, o Tribunal Supremo de Justiça classificou o episódio como “ausência temporária forçada”, termo previsto na Constituição de 1999.
Na prática, Delcy pode exercer a Presidência por até 90 dias, com possibilidade de uma única prorrogação pelo mesmo período, enquanto o Parlamento decide se a ausência de Maduro será considerada definitiva.
Segundo apuração do O Brasilianista, Maduro está detido no Centro de Detenção Metropolitano (MDC), no Brooklyn, em Nova York.
O local é alvo frequente de críticas por superlotação, falta de infraestrutura e relatos de condições degradantes. Juízes e advogados americanos já descreveram a prisão como “o inferno na Terra”.
Apoio do chavismo
O apoio político mais visível veio de Nicolás Maduro Guerra, único filho do ex-presidente, que discursou durante a sessão de instalação da nova legislatura. Ele declarou apoio “incondicional” à presidente interina e afirmou que continuará mobilizando a base chavista.
Conhecido como “Nicolasito”, Maduro Guerra tem 34 anos, ocupa cadeira no Parlamento desde 2021 e é apresentado pelo partido governista como representante de uma nova geração de lideranças, com forte discurso religioso e de lealdade ao projeto iniciado por Hugo Chávez.
Enquanto a sessão ocorria, apoiadores de Maduro voltaram às ruas de Caracas pelo segundo dia consecutivo. Dentro do plenário, parlamentares aliados exibiram sinais de apoio, punhos cerrados e discursos de resistência.
Leitura geopolítica
A operação marca a primeira intervenção direta dos Estados Unidos em um país latino-americano desde 1989, quando tropas americanas prenderam o ex-presidente panamenho Manuel Noriega.
Críticos apontam que, além das acusações criminais, a ação busca reduzir a influência de China e Rússia na Venezuela e ampliar o controle sobre as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.
Segundo análise do cientista político Murillo de Aragão, em entrevista à BandNews TV, ainda há muitas questões em aberto.
Ele afirma que nem Delcy Rodríguez nem Donald Trump têm clareza sobre o desfecho institucional do país e que Washington reconhece a legitimidade do poder atual, ciente do colapso econômico venezuelano.
Tentativa de diálogo com Washington
Após classificar a captura de Maduro como “bárbara”, Delcy Rodríguez suavizou o discurso no domingo à noite (04) e enviou uma carta ao presidente Donald Trump. No texto, defendeu diálogo direto e propôs uma agenda de cooperação entre Caracas e Washington.
Trump, por sua vez, declarou que reconhece a atual estrutura de poder em Caracas e indicou que os Estados Unidos pretendem manter presença no país até a formação de um novo governo, utilizando também instrumentos econômicos ligados ao setor de petróleo.

