A captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas no último sábado (03) e a declaração do presidente Donald Trump de que os Estados Unidos irão administrar a Venezuela durante um período de transição recolocaram no centro do debate internacional a Doutrina Monroe.
Criada há mais de 200 anos, essa doutrina ajuda a entender por que Washington trata acontecimentos na América Latina como temas de segurança nacional e por que a Venezuela aparece, novamente, como ponto sensível. As informações são do Politize!.
O que é a Doutrina Monroe?
A Doutrina Monroe surgiu em 1823, quando o então presidente James Monroe apresentou ao Congresso uma diretriz para a diplomacia norte-americana. De acordo com a National Archives, a mensagem era direta: o continente americano não deveria mais sofrer intervenções ou tentativas de recolonização por potências europeias.
Em troca, os Estados Unidos afirmavam que não se envolveriam em conflitos internos da Europa. O lema que resumiu essa política foi “América para os americanos”, expressão que, na prática, passou a significar a defesa dos interesses dos EUA em todo o hemisfério ocidental.
Naquele momento histórico, vários países da América Latina haviam acabado de conquistar a independência de impérios europeus. O receio era que essas potências tentassem retomar o controle político e econômico da região.
Como a doutrina mudou ao longo do tempo?
De acordo com o InfoMoney, no início a Doutrina Monroe tinha caráter mais simbólico. Os Estados Unidos ainda não possuíam força militar suficiente para impor essa visão. Isso mudou ao longo do século XIX, com o crescimento econômico e territorial do país.
Segundo a BBC, no começo do século XX, o chamado Corolário Roosevelt ampliou o alcance da doutrina. A nova interpretação defendia que Washington poderia intervir em países latino-americanos considerados instáveis, sob o argumento de preservar a ordem e evitar a presença de potências externas.
Essa lógica esteve presente em diferentes períodos históricos, como:
- intervenções militares no Caribe e na América Central;
- pressões diplomáticas durante a Guerra Fria;
- apoio ou oposição a governos da região conforme interesses estratégicos dos EUA.
Por que a Venezuela ocupa papel central?
Conforme reportagem da Fortune, a Venezuela aparece repetidamente como ponto sensível na aplicação da Doutrina Monroe por dois fatores principais: sua localização estratégica no Caribe e as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta.
De acordo com o UOL, ao longo das últimas décadas, o governo venezuelano fortaleceu relações com países considerados rivais de Washington, como China, Rússia e Irã. Esse alinhamento passou a ser visto pela Casa Branca como uma ameaça direta à segurança hemisférica.
Especialistas ouvidos pela BBC destacam que, historicamente, a Venezuela foi usada como “gatilho” para reafirmações da Doutrina Monroe em diferentes momentos da política externa americana.
Ligação direta com a ofensiva dos EUA
Ao anunciar a nova Estratégia de Segurança Nacional em dezembro, o governo dos EUA voltou a citar nominalmente a Doutrina Monroe, classificando a América Latina como área prioritária para conter “ameaças externas” e redes criminosas transnacionais.
Após a operação que resultou na prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, Trump declarou que a presença de atores estrangeiros na Venezuela colocava em risco os interesses americanos.
No discurso oficial, a Casa Branca associa a ação militar à necessidade de garantir estabilidade regional, proteger rotas energéticas e impedir o avanço de rivais globais no hemisfério. A retomada explícita da Doutrina Monroe acontece em meio à intensificação da competição entre Estados Unidos e China e à redefinição das cadeias globais de energia e segurança.
Nesse cenário, manter influência direta sobre a América Latina voltou a ser tratado por Washington como fator estratégico para preservar sua posição global.

