Nesta segunda-feira (05), a primeira sessão extraordinária do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2026 terminou sem qualquer deliberação prática sobre o ataque dos Estados Unidos à Venezuela.
O encontro revelou divergências profundas entre os principais atores internacionais diante da operação militar que resultou na retirada forçada do presidente venezuelano Nicolás Maduro do poder. As informações são do InfoMoney.
A reunião foi solicitada pela Colômbia e contou com o apoio de Rússia e China, países que possuem assento permanente no Conselho. O debate ocorreu na sede da ONU, em Nova York, e teve como foco a legalidade da ação americana e seus impactos para a estabilidade regional.
O que é o Conselho de Segurança da ONU?
O Conselho de Segurança é o órgão da ONU responsável por decisões relacionadas à paz e à segurança internacional. Ele é composto por 15 países: cinco membros permanentes, Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido e dez integrantes eleitos por mandatos temporários.
Os cinco membros permanentes têm poder de veto, o que significa que qualquer um deles pode barrar resoluções, mesmo que haja maioria favorável.
Falta de consenso
Durante a sessão, nenhum país apresentou formalmente um projeto de resolução sobre o ataque à Venezuela.
Diplomatas ouvidos nos bastidores apontaram que, mesmo que um texto fosse colocado em votação, ele provavelmente enfrentaria veto dos Estados Unidos, o que desestimula iniciativas desse tipo.
Apesar da ausência de decisões concretas, representantes indicaram que negociações paralelas e contatos diplomáticos devem continuar fora do plenário, em encontros bilaterais e reuniões reservadas.
Brasil critica ataque
O Brasil participou da reunião a pedido próprio e adotou um discurso crítico à ação militar americana. O embaixador brasileiro na ONU, Sérgio Danese, afirmou que os bombardeios em território venezuelano e a captura do chefe de Estado ultrapassam limites aceitáveis do direito internacional.
Em sua intervenção, feita em espanhol, Danese destacou que a América do Sul é historicamente reconhecida como uma zona de paz e alertou para o risco de normalizar ações armadas contra governos soberanos.
O diplomata defendeu que soluções impostas pela força abrem precedentes perigosos e enfraquecem regras internacionais construídas ao longo de décadas.
Posição dos Estados Unidos
O representante dos Estados Unidos no Conselho, Mike Waltz, rejeitou as acusações de violação da soberania venezuelana. Segundo ele, a operação realizada no sábado (03) teve caráter jurídico e não configuraria ocupação militar.
Waltz argumentou que o governo americano vinha tentando soluções diplomáticas e que a captura de Maduro ocorreu após recusas sucessivas a propostas apresentadas por Washington.
Venezuela denuncia agressão
O embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, classificou a ofensiva americana como um ataque armado ilegítimo e sem respaldo legal. Para ele, a operação representa uma ameaça direta à integridade territorial do país e um marco negativo para o sistema internacional.
Moncada afirmou que a data de 3 de janeiro de 2026 entra para a história como um episódio em que normas básicas da convivência entre Estados foram desrespeitadas, independentemente do tamanho ou poder das nações envolvidas.
Rússia, China, Colômbia, Argentina e União Europeia
Representantes da Rússia e da China voltaram a criticar duramente os Estados Unidos durante a reunião. Moscou acusou Washington de agir com seletividade jurídica, enquanto Pequim afirmou estar profundamente alarmada com a captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
A Colômbia, que solicitou a reunião, também condenou o uso unilateral da força. A embaixadora colombiana declarou que nenhuma circunstância justifica ataques armados sem autorização internacional.
A Argentina adotou um discurso mais próximo ao dos Estados Unidos, defendendo a necessidade de uma transição política considerada “segura” na Venezuela. Já o Reino Unido evitou se posicionar de forma direta sobre a legalidade da ação militar.
A União Europeia pediu moderação, diálogo e esforços para evitar o agravamento da crise. O bloco destacou a importância de soluções pacíficas e negociadas.

