O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a atacar publicamente o governo colombiano e elevou o tom contra Gustavo Petro. As declarações, feitas em diferentes momentos nos últimos dias, provocaram reação imediata do presidente da Colômbia e aprofundaram um impasse diplomático que já vinha se agravando desde 2024.
As novas falas de Trump ocorreram no domingo, a bordo do avião presidencial, quando afirmou: “A Colômbia também está muito doente. Governada por um homem doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la para os Estados Unidos. Deixe eu dizer uma coisa para vocês: ele não vai continuar fazendo isso por muito tempo”.
Horas depois, o Departamento de Estado americano publicou nas redes sociais a mensagem: “Este é o nosso hemisfério e o presidente Trump não permitirá que nossa segurança seja ameaçada”. As informações foram divulgadas pelo G1, em reportagem dos enviados especiais Alex Carvalho, Carolina Cimenti e Luigi Sofio.
Reação de Petro e resposta pública
O presidente colombiano negou qualquer ligação com o narcotráfico e afirmou que as acusações não têm fundamento. Segundo Petro, o Estado e as forças armadas da Colômbia seguem comprometidos com o combate à produção e ao tráfico de cocaína.
Nas redes sociais, ele reagiu diretamente às ameaças e escreveu: “Se capturarem um presidente respeitado e querido por boa parte do povo, vão desencadear a fúria popular. Pela pátria, pegarei em armas novamente. Não sou ilegítimo nem traficante”.
A declaração reforçou o clima de tensão e sinalizou que o governo colombiano não pretende recuar diante das falas do presidente americano.
Histórico de atritos entre os governos
A relação entre Trump e Petro é marcada por conflitos desde o início do segundo mandato do republicano. O desgaste começou quando a Colômbia barrou a entrada de voos com imigrantes deportados, o que levou à imposição de sanções por Washington.
No segundo semestre de 2025, o conflito se intensificou após o cancelamento do visto americano de Petro. A medida ocorreu depois de o presidente colombiano afirmar que militares dos Estados Unidos deveriam desobedecer ordens do Pentágono.
A crise ganhou novos contornos com bombardeios americanos a embarcações no Caribe, sob a justificativa de combate ao tráfico de drogas vindas da Venezuela. Pelo menos um barco colombiano foi atingido, resultando na morte de um pescador, episódio que gerou duras críticas de Bogotá.
Cenário político e impacto regional
Sem apresentar provas, Trump mantém as acusações contra Petro em um momento sensível para a Colômbia. O mandato do presidente colombiano está perto do fim, com eleições marcadas para maio de 2026 e posse do novo governo prevista para agosto, já que a Constituição impede a reeleição.
Enquanto líderes trocam acusações, a população colombiana acompanha com apreensão. Em cidades como Cúcuta, na fronteira com a Venezuela, moradores relatam medo e incerteza diante da escalada do conflito diplomático.

