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Geopolítica

Entenda por que avanço da direita na América do Sul não se repete no Brasil

Pesquisa Atlas mostra Lula à frente em todos os cenários de segundo turno testados

Entenda por que avanço da direita na América do Sul não se repete no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno das eleições presidenciais de 2026, segundo pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (01).

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No principal cenário testado, Lula soma 48,8% das intenções de voto, contra 42,3% de Flávio Bolsonaro.

O levantamento ouviu 4.999 eleitores entre 26 e 30 de junho, tem margem de erro de um ponto percentual e também simulou disputas contra outros nomes da direita, nas quais o atual presidente também lidera.

Direita cresce na região, mas países seguem trajetórias diferentes

A pesquisa também simulou cenários de segundo turno entre Lula e outros possíveis candidatos da oposição.

O presidente venceria Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Michelle Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão) e Jair Bolsonaro (PL).

O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04582/2026 e possui nível de confiança de 95%.

Como explicou O Brasilianista, após a eleição presidencial no Peru, o continente vive uma reorganização política marcada pelo fortalecimento de governos conservadores.

A vitória de Keiko Fujimori ampliou a presença da direita na América do Sul, que já governa Argentina, Chile, Paraguai, Equador, Colômbia e Bolívia, enquanto Brasil, Uruguai, Guiana, Suriname e Venezuela permanecem administrados por governos posicionados à esquerda ou centro-esquerda.

A mudança ocorreu de forma gradual nos últimos anos. A Argentina elegeu Javier Milei, o Chile passou a ser governado por José Antonio Kast, a Colômbia substituiu Gustavo Petro por Abelardo de la Espriella, a Bolívia encerrou o ciclo do Movimento ao Socialismo com Rodrigo Paz e, agora, o Peru voltou ao campo conservador com Keiko Fujimori.

Mudança regional não determina resultado brasileiro

Embora exista um avanço da direita no continente, a comparação direta com o Brasil possui limitações. Cada eleição ocorre em contextos econômicos, sociais e institucionais próprios, com fatores domésticos que influenciam o comportamento do eleitorado.

O próprio histórico recente da América do Sul mostra alternância constante entre diferentes campos políticos.

Países que elegeram governos progressistas passaram, anos depois, a optar por candidaturas conservadoras, enquanto outros seguiram caminho inverso. A sucessão dessas mudanças impediu a formação de uma hegemonia ideológica duradoura na região.

O Brasilianista destacou que o atual mapa sul-americano permanece dividido entre governos de direita, centro-direita, centro-esquerda e esquerda.

Mesmo com o crescimento do bloco conservador após as eleições de Peru, Colômbia e Chile, ainda permanecem governos progressistas em países estratégicos como Brasil e Uruguai, mantendo um equilíbrio político regional.

Polarização continua sendo principal característica

A nova pesquisa também reforça que a disputa presidencial brasileira permanece concentrada entre os dois principais campos políticos do país.

Mesmo com outros pré-candidatos incluídos nas simulações, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem muito à frente dos demais concorrentes.

Outro aspecto relevante é que o levantamento registra crescimento da vantagem de Lula em relação às pesquisas anteriores da própria AtlasIntel.

Em abril, os dois apareciam tecnicamente empatados em um eventual segundo turno. Agora, a diferença passou para 6,5 pontos percentuais, mantendo o presidente na liderança do cenário pesquisado.

Apesar desse resultado, pesquisas de intenção de voto representam um retrato do momento em que são realizadas e não constituem previsão do resultado eleitoral.

A campanha oficial ainda não começou, candidaturas podem sofrer alterações e o cenário político permanece sujeito a mudanças até a votação de 2026.

Imagem gerada por IA, feita pelo O Brasilianista

Rejeição elevada reduz espaço para terceira via

Embora liderem as intenções de voto nas principais simulações para 2026, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) também concentram os maiores índices de rejeição entre os eleitores.

Como mostrou O Brasilianista, 51% afirmam que não votariam em Flávio de forma alguma, enquanto 49% dizem o mesmo em relação a Lula, mantendo a polarização também na avaliação negativa dos dois pré-candidatos.

Os números ajudam a explicar por que a chamada terceira via continua enfrentando dificuldades para se consolidar.

Apesar de parte do eleitorado declarar preferência por uma alternativa fora dos grupos liderados por Lula e pela família Bolsonaro, os candidatos desse campo seguem com baixo desempenho nas pesquisas.

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