O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a iniciativa do Conselho Federal de Medicina (CFM) que determinava a abertura de uma sindicância para examinar denúncias relacionadas ao atendimento médico oferecido ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A sindicância é uma fase inicial de investigação administrativa, utilizada para verificar se existem elementos suficientes para uma apuração disciplinar mais aprofundada. No caso, o procedimento havia sido solicitado ao Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF).
A decisão também estabelece que o presidente do CFM seja ouvido pela Polícia Federal no prazo de até dez dias. As informações são do InfoMoney.
O que levou à abertura da sindicância?
Mais cedo, o CFM havia comunicado oficialmente ao CRM do Distrito Federal que deveria analisar relatos sobre uma suposta falta de garantia de assistência médica adequada a Bolsonaro, que está custodiado na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
Em nota pública, o Conselho afirmou que a definição do tratamento cabe exclusivamente ao médico responsável pelo paciente.
Segundo o órgão, esse princípio, chamado de autonomia médica, impede interferências externas na conduta clínica, por se tratar de uma decisão técnica baseada em conhecimento científico.
A manifestação ocorreu após decisões judiciais que, inicialmente, não autorizaram a transferência imediata do ex-presidente para um hospital, mesmo após um acidente ocorrido dentro da unidade da PF.
Queda durante a madrugada
Como apurado pelo O Brasilianista, Bolsonaro sofreu uma queda durante a madrugada de terça-feira (06), dentro do espaço onde dorme na Polícia Federal. Ele relatou ter caído da cama enquanto dormia, além de apresentar tontura ao longo do dia e episódios intensos de soluços à noite.
A avaliação médica inicial apontou um traumatismo cranioencefálico leve, expressão usada para impactos na cabeça que, em regra, não causam danos graves imediatos, mas exigem monitoramento para evitar complicações como sangramentos internos.
Ainda na quarta-feira (07), Alexandre de Moraes autorizou o deslocamento do ex-presidente para o Hospital DF Star, onde foram realizados exames neurológicos.
Atendimento médico na custódia
No despacho, Moraes destacou que Bolsonaro já dispõe de atendimento médico permanente no local onde cumpre pena, por decisão judicial tomada em novembro de 2025. Esse acompanhamento contínuo permitiu resposta rápida após o episódio da queda.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e permanece sob custódia da Polícia Federal em Brasília.

