Uma sequência de manifestações colocou o governo iraniano sob forte pressão nas últimas semanas. O movimento começou no fim do mês de dezembro, em Teerã, com protestos de comerciantes, e rapidamente ganhou escala nacional, alcançando cidades de diferentes portes e provocando paralisações em setores estratégicos.
Os atos deixaram de ter caráter localizado e passaram a reunir multidões, acompanhadas por greves e fechamento de estabelecimentos. O cenário ampliou as dificuldades do regime para conter a mobilização popular, especialmente diante da fragilidade econômica já existente.
Protestos avançam para cidades do interior
Na cidade de Abdanan, considerada modesta em tamanho e população, uma grande concentração foi registrada na noite da última terça-feira (06). Durante a marcha, manifestantes gritaram “morte ao líder supremo do Irã”, em referência direta ao aiatolá Ali Khamenei.
Em Mashhad, um dos centros urbanos mais importantes do país, a noite de quarta-feira (07) foi marcada pela derrubada de uma bandeira de grandes dimensões com o símbolo da República Islâmica, que acabou rasgada pelos participantes do ato. Segundo relatos locais, o gesto foi visto como um desafio aberto ao regime.
Na quinta-feira (08) à noite, milhares de pessoas voltaram às ruas após uma convocação feita pelo ex-príncipe herdeiro iraniano. O chamado impulsionou novos protestos e coincidiu com o fechamento de muitos estabelecimentos comerciais, afetando o funcionamento da economia em diversas regiões.
Repressão, mortes e denúncias internacionais
A reação das forças de segurança incluiu o uso de violência em diferentes episódios. Houve registros de mortes de manifestantes, invasões de hospitais e prisões em massa, conforme informações divulgadas por organizações de direitos humanos.
As estimativas apontam entre 27 e 36 pessoas mortas até o momento. O Centro de Direitos Humanos no Irã informou, na terça-feira, que seis crianças estariam entre as vítimas fatais, de acordo com dados reunidos pela entidade.
Imagens divulgadas nas redes sociais indicam dificuldades das autoridades para conter a dimensão das mobilizações. Mesmo com anúncios oficiais de medidas econômicas pontuais, como pagamentos mensais equivalentes a US$ 7 por família para a compra de alimentos básicos, os protestos continuam e mostram sinais de fortalecimento, segundo análises de observadores internacionais e relatos de organizações de direitos humanos.

