O Departamento de Estado dos Estados Unidos ultrapassou a marca de 100 mil vistos revogados desde o retorno de Donald Trump à Presidência, em janeiro de 2025. O número estabelece um novo patamar dentro da política migratória mais dura adotada pelo republicano, que combina deportações em larga escala e critérios mais rígidos para entrada e permanência no país.
Segundo o G1, a medida faz parte de uma ofensiva ampla contra a imigração, que atingiu inclusive estrangeiros com vistos válidos. O governo norte-americano também reforçou os procedimentos de análise, ampliando a checagem de redes sociais e o monitoramento de antecedentes.
Em uma publicação na rede social X, o Departamento de Estado afirmou: “O Departamento de Estado já revogou mais de 100.000 vistos, incluindo cerca de 8.000 vistos de estudante e 2.500 vistos especializados para indivíduos que tiveram encontros com a polícia dos EUA por atividades criminosas. Continuaremos a deportar esses bandidos para manter os Estados Unidos seguros”.
Principais motivos para a perda do visto
De acordo com o porta-voz adjunto do Departamento de Estado, Tommy Pigott, quatro fatores concentram a maior parte das revogações. Entre eles estão a permanência além do prazo autorizado, dirigir sob efeito de álcool ou drogas, agressões e casos de roubo.
Ainda segundo Pigott, o volume atual representa um aumento de 150% em relação ao registrado ao longo de 2024. O crescimento reflete, segundo o governo, a intensificação das ações de fiscalização desde a volta de Trump à Casa Branca.
Em novembro, o próprio Departamento de Estado havia informado a revogação de aproximadamente 80 mil vistos de não imigrantes desde a posse do presidente, já indicando uma tendência de aceleração nas medidas adotadas.
Novo centro amplia monitoramento permanente
Como parte da estratégia, o governo norte-americano criou um Centro de Verificação Contínua. A estrutura tem como objetivo acompanhar o comportamento de estrangeiros que já estão em território americano e agir rapidamente em casos considerados irregulares.
Pigott afirmou que a iniciativa busca assegurar que “todos os estrangeiros em solo norte-americano cumpram nossas leis — e que os vistos daqueles que representam uma ameaça aos cidadãos norte-americanos sejam rapidamente revogados”.
Além disso, novas diretrizes orientam diplomatas dos Estados Unidos no exterior a redobrar a atenção sobre solicitantes de visto que possam ser classificados por Washington como hostis ao país, especialmente aqueles com histórico de ativismo político.
Estudantes e residentes também entram no foco
Autoridades do governo Trump indicaram que estudantes estrangeiros e residentes permanentes legais, inclusive portadores de green card, podem ser alvo de deportação caso manifestem apoio aos palestinos ou façam críticas à atuação de Israel na guerra em Gaza.
Segundo integrantes da administração, essas posições são tratadas como ameaça à política externa dos Estados Unidos, com acusações de alinhamento ao Hamas, o que amplia o alcance das ações migratórias para além de crimes comuns.

