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Geopolítica

EUA atacam região de usina nuclear no Irã; relembre escalada do conflito

Autoridades iranianas afirmam que instalação de Bushehr não foi danificada e que níveis de radiação permanecem inalterados

EUA atacam região de usina nuclear no Irã; relembre escalada do conflito

Um projétil dos Estados Unidos atingiu nesta quinta-feira (09) a área próxima à usina nuclear de Bushehr, no Irã, em meio à continuidade dos ataques americanos contra o país.

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Autoridades iranianas afirmaram que a instalação não sofreu danos e que não houve alteração nos níveis de radiação registrados na região.

As informações divulgadas pelo governo iraniano apontam que diferentes locais da província de Bushehr foram atingidos, incluindo o perímetro da instalação nuclear.

Um píer utilizado por barcos de pesca no litoral também teria sido alcançado pelos bombardeios.

As Forças Armadas dos Estados Unidos não informaram a realização de novos ataques durante o dia desta quinta-feira, após anunciarem que 90 alvos haviam sido atingidos durante a noite.

O Ministério da Saúde do Irã informou que 14 pessoas morreram e outras 78 ficaram feridas nos últimos dois dias de ofensivas americanas.

Bombardeios abriram nova fase da guerra

Como mostrou O Brasilianista, Estados Unidos e Israel iniciaram, em 28 de fevereiro, uma ofensiva que matou o então líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, e integrantes da cúpula militar do país.

A professora de pós-graduação em Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), Rashmi Singh, afirmou que o momento escolhido para a ofensiva levantava questionamentos.

“Os EUA e Israel entraram em guerra quando um avanço diplomático e a paz estavam ao alcance. Então, por que agora? Tanto os EUA quanto Israel acreditam que o Irã está fraco e veem isso como uma oportunidade estratégica para instalar um governo mais moderado no país”, afirmou Rashmi Singh.

A especialista avaliou que a operação também estava relacionada a uma tentativa de reduzir a influência regional iraniana e modificar o equilíbrio político no Oriente Médio.

O professor Robson Valdez, do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), também considerou que a questão nuclear não explicava isoladamente a escalada militar.

Operação foi preparada durante meses

A ofensiva havia sido planejada durante meses e executada depois que serviços de inteligência identificaram uma oportunidade para atingir simultaneamente integrantes do governo e da cúpula militar iraniana.

Ali Khamenei e outras autoridades estavam reunidos em um complexo no centro de Teerã quando a operação foi autorizada. Aviões israelenses utilizaram dezenas de bombas para atingir o local onde o líder iraniano estava protegido em um bunker subterrâneo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acompanhou a operação ao lado de assessores em uma sala improvisada de monitoramento na Flórida. A confirmação da morte de Khamenei demorou horas para ser divulgada oficialmente.

A ofensiva foi seguida por ataques do Irã contra Israel e bases americanas no Oriente Médio. Explosões foram registradas em países como Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos, enquanto as tensões envolvendo o Estreito de Ormuz ampliaram as preocupações com o transporte internacional de petróleo.

Especialistas alertaram para efeitos econômicos

O professor Robson Valdez, do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), afirmou que os impactos do conflito poderiam alcançar diretamente os países dependentes do petróleo transportado pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo.

O aumento das tensões na região passou a pressionar preços internacionais de energia e ampliar os riscos para cadeias produtivas e sistemas de transporte.

Setores dependentes do comércio exterior, da aviação e da logística marítima também ficaram expostos às consequências da instabilidade.

A professora Rashmi Singh avaliou que os objetivos dos ataques ultrapassavam a justificativa oficial relacionada ao programa nuclear iraniano.

Para a especialista, Washington e Tel Aviv identificaram na fragilidade do Irã uma oportunidade para alterar o equilíbrio de forças na região.

O historiador Rodolfo Queiroz Laterza acrescentou outra dimensão à disputa e relacionou o conflito à competição econômica entre Estados Unidos e China.

Segundo ele, a guerra também precisava ser observada a partir das disputas por rotas comerciais e influência política sobre a Eurásia.

Guerra aumentou pressão política sobre Trump

Como informou O Brasilianista, a continuidade dos ataques também provocou uma reação política dentro dos Estados Unidos.

O Senado americano aprovou, por 50 votos a 47, o avanço de uma resolução que poderia obrigar Trump a encerrar as operações contra o Irã ou solicitar autorização formal do Congresso para manter a ofensiva militar.

A medida recebeu o apoio de quatro senadores republicanos e ampliou o debate sobre os poderes constitucionais da Casa Branca para conduzir ataques militares sem autorização prévia do Poder Legislativo.

Trump justificou os bombardeios com base no histórico de atuação iraniana no Oriente Médio, na falta de avanços diplomáticos e nas preocupações relacionadas ao programa nuclear do país.

A Casa Branca também argumentou que o presidente poderia autorizar as operações por exercer constitucionalmente a função de comandante-em-chefe das Forças Armadas.

Popularidade do presidente caiu durante ofensiva

Ainda conforme O Brasilianista, a aprovação de Trump havia caído para 35%, ficando próxima do menor patamar registrado desde o retorno do republicano à Casa Branca.

O presidente iniciou o novo mandato com aproximadamente 47% de aprovação em janeiro de 2025. O índice caiu para 42% em março, chegou a 40% em abril e recuou para 36% no início de maio, antes de atingir 35%.

A rejeição também aumentou entre os próprios eleitores republicanos. O percentual de integrantes do partido que desaprovavam o governo chegou a 21%, ante 5% no início do mandato.

O desgaste ocorreu em meio à continuidade dos ataques, à elevação dos preços dos combustíveis e às consequências econômicas das tensões no Oriente Médio. Entre os eleitores independentes, dois terços rejeitavam a condução da guerra pelo governo americano.

Ataques continuam após meses de conflito

A guerra também provocou reações de governos e organismos internacionais. Rússia e China condenaram os ataques contra o território iraniano, enquanto o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança.

O presidente russo, Vladimir Putin, classificou a ofensiva como “uma violação cínica de todas as normas da moral humana e do direito internacional”. A China pediu o encerramento das operações e alertou para os riscos de ampliação da instabilidade regional.

Após a morte de Ali Khamenei, um conselho temporário assumiu o comando do Irã enquanto o país conduzia o processo para escolha de um novo líder supremo. Teerã também promoveu substituições emergenciais na estrutura de comando das Forças Armadas.

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