O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na última segunda-feira (12) que países que mantiverem relações comerciais com o Irã passarão a pagar uma tarifa adicional de 25% em transações com os EUA. A medida entra em vigor imediatamente e faz parte da estratégia do republicano de intensificar a pressão econômica sobre o regime iraniano.
Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou: “Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre quaisquer e todas as transações realizadas com os Estados Unidos. Esta ordem é final e conclusiva. Agradeço a atenção a este assunto”.
A decisão pode atingir o Brasil, que mantém fluxo comercial relevante com o país do Oriente Médio. Apenas em 2025, empresas brasileiras importaram US$ 84,5 milhões do Irã, principalmente ureia, pistache e uvas secas, enquanto as exportações chegaram a US$ 2,9 bilhões, com destaque para milho, soja e açúcar.
Trump não deixou claro se a tarifa será aplicada a países que já negociam com o Irã ou apenas a novos acordos. Procurados, o Itamaraty e a Presidência da República não se manifestaram até a última atualização, segundo o G1.
Pressão crescente dos EUA sobre Teerã
Nos últimos dias, o discurso da Casa Branca em relação ao Irã se tornou mais duro. O governo americano acompanha a onda de protestos que se espalha pelo país desde o fim de dezembro, com manifestações contra o regime do aiatolá Ali Khamenei.
O presidente norte-americano afirmou no sábado (10) que o Irã está “buscando a liberdade” e declarou que os EUA “estão prontos para ajudar”. No dia seguinte, disse considerar “opções muito fortes” em relação ao país.
De acordo com o jornal “The Wall Street Journal”, Trump estaria inclinado a autorizar uma ação militar, enquanto integrantes do alto escalão tentam convencê-lo a priorizar uma saída diplomática. A Casa Branca também avalia uma proposta de última hora para conter o programa nuclear iraniano, tema que esteve no centro do conflito entre Israel e Irã em junho de 2024.
Cenário interno e impacto econômico
Os protestos no Irã já deixaram mais de 600 mortos e mais de 10 mil pessoas foram presas, segundo organizações de direitos humanos. Durante as manifestações, o governo iraniano determinou o bloqueio da internet, isolando o país.
A crise interna é agravada por dificuldades econômicas prolongadas. Sanções impostas pelos EUA desde 2018 e novas medidas adotadas após o retorno de Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, pressionaram a economia iraniana. A inflação supera 40% ao ano e o rial perdeu cerca de metade do valor frente ao dólar apenas em 2025, atingindo mínima histórica neste mês.
O país também enfrenta instabilidade política e críticas ao regime teocrático instaurado após a Revolução Islâmica de 1979, liderado há mais de três décadas por Ali Khamenei.

