A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou, na última quinta-feira (15), que a prioridade de seu governo é preservar a estabilidade interna e ampliar a autonomia do país nas relações comerciais e diplomáticas. Em discurso anual à nação, ela criticou diretamente as ações dos Estados Unidos e indicou que Caracas seguirá um caminho próprio no cenário internacional, segundo o InfoMoney.
Rodríguez disse que a Venezuela não deve recuar do diálogo internacional e ressaltou a importância da diplomacia como instrumento político. “A história me colocou para preservar a paz da nossa pátria”, afirmou. “Não tenhamos medo da diplomacia”, continuou.
A mandatária também condenou a operação militar que resultou na deposição de Nicolás Maduro no início do mês. Para ela, a iniciativa do governo norte-americano representa um retrocesso na relação entre os dois países e compromete o histórico diplomático bilateral.
Críticas à ofensiva americana
Durante o discurso, Rodríguez classificou a ação dos Estados Unidos como uma agressão externa grave. “A Venezuela sofreu uma agressão armada proveniente de uma potência nuclear”, declarou, ao mencionar que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, teriam sido alvo direto por defenderem o controle nacional sobre o petróleo.
Ao reforçar o tom de independência, a presidente interina afirmou que não aceitará imposições de Washington. “Se um dia tiver que ir a Washington irei caminhando, não arrastada”, disse.
Mudanças no setor de energia e aceno ao mercado
Rodríguez anunciou reformas na indústria petrolífera com o objetivo de atrair capital estrangeiro e ampliar a capacidade produtiva. Segundo ela, o país alcançou em dezembro uma produção de 1,2 milhão de barris de petróleo por dia.
A presidente interina destacou que os recursos obtidos com a exportação do petróleo serão direcionados a áreas estratégicas. “As vendas de petróleo venezuelano servirão para reforçar os serviços de saúde em crise, além de apoiar o desenvolvimento econômico e outros projetos de infraestrutura”, afirmou.
Diplomacia e alianças internacionais
No encerramento do discurso, Rodríguez reforçou que a Venezuela pretende manter relações comerciais abertas e sem restrições políticas. Ela afirmou que o país tem o direito de negociar livremente no mercado global e de manter laços diplomáticos com diferentes nações.
Segundo a mandatária, Caracas seguirá aprofundando relações com parceiros como Rússia e China, além de outros países que considerar estratégicos para seus interesses nacionais.

