A definição do segundo turno presidencial no Peru colocou novamente o país andino no centro das atenções da América do Sul, desta vez como símbolo de uma disputa que atravessa todo o continente.
Após semanas de apuração conturbada, os peruanos terão pela frente uma nova polarização entre a candidata de direita Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez, em um cenário de instabilidade que também ajuda a medir como está dividido o poder político sul-americano entre governos conservadores e progressistas. Segundo a Agência Brasil, o Peru chega à escolha de seu novo presidente após uma sequência de crises institucionais, trocas de comando e embates entre Executivo e Congresso.
A eleição peruana acontece em um momento em que a América do Sul vive um equilíbrio incomum entre forças políticas. Hoje, o continente está praticamente dividido entre países sob comando da direita ou centro-direita e nações governadas pela esquerda ou centro-esquerda.
O resultado peruano ganhou peso além das fronteiras nacionais porque pode consolidar mais um governo conservador ou recolocar a esquerda em um território marcado por sucessivas rupturas políticas. O país, quarto mais populoso da região, ocupa posição estratégica tanto pela relação com o Brasil quanto por seu papel econômico no Pacífico, especialmente diante de disputas comerciais entre Estados Unidos e China.
A presença de Keiko Fujimori no segundo turno recoloca em debate a influência do fujimorismo, corrente ligada ao legado de Alberto Fujimori, enquanto Roberto Sánchez aparece associado ao campo político de Pedro Castillo, ex-presidente deposto após tentativa frustrada de dissolver o Parlamento.
Demais países
Argentina: Javier Milei mantém a guinada liberal e se tornou o principal nome da direita sul-americana, com agenda econômica de corte estatal e aproximação com setores conservadores internacionais, de acordo com a Revista Veja.
Bolívia: a eleição de Rodrigo Paz encerrou um longo ciclo de domínio da esquerda ligada ao MAS e marcou uma mudança importante em um dos antigos pilares progressistas da região.
Chile:José Antonio Kast levou o país a uma inflexão conservadora após o governo de Gabriel Boric, reposicionando Santiago no bloco de centro-direita, conforme já explicado pelo O Brasilianista.
Equador: Daniel Noboa segue no comando com perfil liberal e foco em segurança, em meio a crises internas e combate ao narcotráfico.
Paraguai: Santiago Peña preserva a histórica predominância conservadora no país.
Peru: atualmente sob liderança transitória de perfil mais alinhado à direita, o país pode manter essa direção ou mudar conforme o segundo turno.
Ainda, no campo da esquerda, o mapa também concentra governos de peso político e econômico.
Brasil: Luiz Inácio Lula da Silva mantém o maior país da região sob orientação de centro-esquerda, com protagonismo diplomático regional.
Colômbia: Gustavo Petro conduz a primeira experiência claramente à esquerda na história recente colombiana.
Uruguai: Yamandú Orsi preserva a linha progressista iniciada pela Frente Ampla.
Venezuela: sob o regime autoritário de esquerda associado ao chavismo, atualmente com Delcy Rodríguez exercendo funções executivas interinas., ainda sob forte contestação internacional.
Guiana: Irfaan Ali conduz o país em ascensão econômica com alinhamento progressista.
Suriname: Jennifer Simons integra o grupo de governos de esquerda.
A divisão mostra uma América do Sul sem hegemonia ideológica clara, diferente de ciclos anteriores em que o continente esteve mais uniformemente inclinado a um dos polos. O avanço conservador em países como Argentina e Chile foi contrabalançado pela permanência ou fortalecimento de governos progressistas em outras nações estratégicas.

