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Geopolítica

Parlamento europeu aprova iniciativa para levar acordo UE-Mercosul ao Tribunal de Justiça

Votação abre caminho para disputa jurídica que pode alterar o ritmo de entrada em vigor do tratado comercial entre Europa e América do Sul

Parlamento europeu aprova iniciativa para levar acordo UE-Mercosul ao Tribunal de Justiça

Deputados do Parlamento Europeu aprovaram, nesta quarta-feira (21), uma iniciativa que solicita ao Tribunal de Justiça da União Europeia a análise do acordo de livre comércio firmado entre a União Europeia e o Mercosul, integrado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

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A proposta recebeu maioria simples e autoriza o acionamento formal da Justiça europeia para examinar aspectos legais do tratado. As informações são da Agência Brasil.

O que está em debate no tribunal?

Os parlamentares pedem que a Corte avalie se o acordo pode ser aplicado antes da ratificação por todos os Estados-membros e se suas cláusulas limitam a autonomia da União Europeia para definir políticas ambientais e de proteção ao consumidor.

Processos desse tipo costumam levar até dois anos para uma manifestação definitiva, o que pode atrasar significativamente a implementação do pacto.

A oposição ao acordo é liderada pela França, principal produtora agrícola do bloco europeu. Autoridades e representantes rurais avaliam que a abertura comercial tende a ampliar a entrada de carne bovina, açúcar e aves provenientes da América do Sul, com preços inferiores aos praticados no mercado europeu.

Produtores organizam protestos em diferentes países e argumentam que enfrentam exigências ambientais e sanitárias mais rigorosas do que as aplicadas aos exportadores do Mercosul.

A Alemanha e Espanha estão entre os governos que sustentam a entrada em vigor do acordo. Para esses países, o tratado funciona como resposta à instabilidade no comércio internacional, intensificada pelas políticas tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A avaliação é que o pacto amplia mercados para produtos industriais europeus, reduz a dependência da China e garante acesso a minerais considerados estratégicos.

Possibilidade de aplicação provisória

Mesmo com o envio do caso ao Tribunal de Justiça, existe a alternativa de aplicar o acordo de forma provisória enquanto a análise jurídica ocorre.

Essa saída, no entanto, é vista como politicamente sensível, já que o Parlamento mantém o poder de derrubar o tratado posteriormente.

Parte dos deputados avalia que a aplicação antecipada reduziria a margem de decisão dos governos nacionais antes da conclusão do processo judicial.

Impactos esperados para o Brasil

O Brasilianista já mostrou que levantamentos da Confederação Nacional da Indústria indicam que mais de 5 mil produtos brasileiros poderão acessar o mercado europeu sem imposto de importação quando o acordo começar a valer.

Mais da metade dessas mercadorias teria tarifa zerada logo no início da vigência.

Atualmente, os acordos comerciais do Brasil abrangem cerca de 8% do comércio global. Com a entrada da União Europeia, esse alcance pode chegar a 36%.

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