Flávio Bolsonaro decidiu colocar o senador Rogério Marinho como coordenador de sua pré-campanha à Presidência com foco especial no Nordeste. A iniciativa busca enfrentar a ampla vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na região e sinaliza prioridade ao principal reduto eleitoral do PT.
A escolha ocorreu após um pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro ao ex-ministro do Desenvolvimento Regional. Com isso, o grupo político ligado ao bolsonarismo tenta reorganizar sua atuação regional e ampliar presença em um território historicamente adverso.
Levantamento recente mostra que o desafio é significativo. Pesquisa Genial/Quaest aponta que Lula concentra mais de 60% das intenções de voto no Nordeste, enquanto Flávio aparece com percentuais entre 13% e 15%, a depender do cenário analisado. Em outras regiões, o desempenho do senador é melhor. No Sudeste, há empate técnico em um dos cenários, dentro da margem de erro. Já no Sul, Centro-Oeste e Norte, ele chega a liderar.
Segundo InfoMoney, os dados reforçaram a avaliação interna de que a região exigiria uma estratégia específica e liderança local com trânsito político consolidado.
Mudança de planos no Rio Grande do Norte
Ao assumir a coordenação nacional, Rogério Marinho anunciou que desistiu de disputar o governo do Rio Grande do Norte. O senador afirmou que atendeu a um pedido direto de Jair Bolsonaro para apoiar o projeto presidencial do filho.
Marinho declarou que “a gratidão, a solidariedade e a lealdade a Bolsonaro e ao que ele representa definem a minha decisão” e acrescentou que “derrotar o PT é uma necessidade histórica para salvar o Brasil”.
Na mesma semana, a defesa do ex-presidente solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorização para que Marinho o visite na unidade prisional conhecida como Papudinha.
Reconhecimento público e discurso eleitoral
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio Bolsonaro agradeceu a decisão do aliado e destacou o peso político do senador potiguar. Para ele, o estado cede “um dos principais quadros da política nacional” para contribuir com o projeto presidencial.
No mesmo material, Flávio afirmou: “Eu sei que vocês estão com o coração um pouco apertado pela decisão que ele tomou. Mas tenho a consciência e a certeza que ele está fazendo uma escolha pelo Brasil, porque nós vamos resgatar juntos, a partir de 2027, esse país das garras do partido das trevas”.
O pré-candidato também disse que o Rio Grande do Norte terá espaço relevante em um eventual plano de governo. Segundo ele, “vamos fazer um trabalho fenomenal por todo o país, e o Rio Grande do Norte vai estar ainda mais contemplado com o Rogério junto com a gente nesse grande time que eu pretendo montar para recolocar o Brasil no caminho da prosperidade”.
Impactos no cenário estadual
Antes da mudança, Rogério Marinho era visto como o principal nome do bolsonarismo para disputar o governo do Rio Grande do Norte. O estado vive um momento de indefinição política, com previsão de eleição para mandato-tampão em abril, após a possível saída da governadora Fátima Bezerra para concorrer ao Senado.
O vice-governador Walter Alves também anunciou intenção de renunciar para disputar uma vaga de deputado estadual. Ele tende a apoiar uma chapa de oposição ao PT, formada por União Brasil, PP e PSD.
Sob a presidência de Marinho, o PL potiguar ampliou sua presença na Assembleia Legislativa, ocupando cerca de um terço das cadeiras. Essa estrutura deve influenciar diretamente as negociações para a definição de quem assumirá o comando do Executivo estadual.

