Crescem em Brasília as informações sobre uma possível negociação de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no âmbito das investigações que envolvem o Banco Master. As tratativas ainda não foram confirmadas oficialmente, mas já indicam entraves relevantes e pouca chance de avanço nos termos pretendidos pela defesa.
O ponto central da resistência estaria nas condições apresentadas. Vorcaro busca imunidade penal total, o que o livraria de qualquer punição restritiva de liberdade, além da inclusão de dois familiares em eventual acordo. A Procuradoria-Geral da República ainda não sinalizou concordância com essas exigências.
De acordo com o Jornal de Brasília, o caso se tornou mais sensível porque as investigações alcançam autoridades de alto escalão, o que amplia o impacto político e institucional do desdobramento do inquérito.
Negociação difícil e alcance institucional
A negociação é considerada complexa também pelo formato inicial da defesa. Os primeiros contatos teriam sido conduzidos por advogados especializados em delações, mas que não integravam a equipe original do ex-banqueiro, o que dificultou a condução uniforme da estratégia jurídica.
Outro fator de peso é o possível alcance das informações a serem prestadas. Há expectativa de que ministros ou ex-ministros do Supremo Tribunal Federal possam ser citados. Em parte dos casos, as menções estariam relacionadas à participação em seminários jurídicos com despesas custeadas, inclusive passagens aéreas.
A situação mais delicada envolveria os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Ainda não há clareza sobre como esses pontos poderiam ser tratados em um acordo de colaboração, especialmente pelo caráter inédito de envolver membros da Corte nesse tipo de contexto.
Depoimentos no Supremo e reação do Senado
De acordo com o R7, enquanto os rumores avançam, três ex-dirigentes de bancos ligados a Vorcaro prestam depoimento à Polícia Federal dentro do próprio Supremo Tribunal Federal, por designação de Dias Toffoli. A realização das oitivas na sede da Corte é considerada incomum e tem alimentado críticas nos bastidores políticos.
No Senado, parlamentares intensificaram a cobrança por uma apuração mais rigorosa. Senadores como Damares Alves, Izalci Lucas, Plínio Valério e Eduardo Girão passaram a defender publicamente investigações amplas sobre o Banco Master e suas conexões com o Judiciário e a política.
Plínio Valério afirmou que “se vivêssemos em um país mais ou menos sério, Toffoli já se teria declarado impedido”. Para ele, a condição institucional dos ministros não os coloca acima da lei e o Senado precisa exercer seu papel constitucional.
Izalci Lucas reforçou a defesa de investigações sem distinção ideológica. Segundo o senador, “a direita não tem bandidos de estimação. Nós concordamos plenamente que haja investigação. E aqueles que erraram, se houve erro por parte de alguém da direita, que paguem pelo erro. Nós não vamos passar a mão na cabeça de ninguém, como a base do governo faz”.
Ainda de acordo com Izalci, há resistência da base governista em avançar com convocações na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, que apura suspeitas envolvendo familiares do presidente Lula. Sobre o Banco Master, o senador avaliou que as denúncias já causam perplexidade, pela gravidade das acusações que citam ministros do Supremo.

