Com a retomada dos trabalhos no Congresso Nacional, a direita parlamentar abre o ano com uma agenda calibrada para o ambiente pré-eleitoral. O que significa que o calendário legislativo tende a funcionar como uma extensão da disputa política de 2026, o que leva a oposição a concentrar esforços em pautas com potencial de desgaste do governo. É a partir dessa lógica que temas como a análise de vetos presidenciais, a abertura e a prorrogação de investigações parlamentares e de pedidos de impeachment passam a ocupar o centro da estratégia.
Nessa linha, o veto presidencial ao projeto da dosimetria tornou-se a prioridade máxima da oposição. O texto aprovado pelo Congresso previa a redução das condenações aplicadas aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Mas o presidente Lula (PT) optou pelo veto integral da proposta, decisão formalizada no Veto nº 3/26. Embora o veto impeça, por ora, que o PL nº 2.162/23 seja transformado em lei, a palavra final ainda caberá ao Congresso, que poderá mantê-lo ou derrubá-lo. Além do conteúdo penal, a votação é vista como um teste da base governista e um termômetro da força política do Executivo no Legislativo.
Outro pilar da atuação da direita são as CPMIs. A prorrogação da CPMI do INSS segue no radar após a comissão apontar indícios de irregularidades, falhas de fiscalização e fragilidades na gestão previdenciária. Paralelamente, a oposição articula a instalação da CPMI do Banco Master, tema que ganhou relevância no noticiário, além da CPMI da Secretaria de Comunicação da Presidência, com foco em contratos, gastos públicos e critérios de distribuição de verbas de publicidade oficial.
Ainda no caso do Banco Master, o discurso sobre a necessidade de reequilíbrio entre os Poderes e os pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) permanecem também como eixo relevante. A direita mantém críticas recorrentes ao STF e explora episódios recentes, como a atuação do ministro Dias Toffoli nas investigações em torno do Banco Master e decisões relacionadas ao banco.
A oposição aposta ainda em um dos temas de maior sensibilidade social e eleitoral: a segurança pública. A estratégia envolve confrontar propostas do governo, modificar projetos em tramitação e apresentar alternativas próprias. No Congresso, seguem em debate iniciativas como o PL Antifacção e a PEC da Segurança Pública.

