O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursou, nesta quarta-feira (28), na sessão de abertura do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, realizado na Cidade do Panamá.
Durante o discurso, Lula afirmou que o caminho para a região não passa por confrontos militares, mas por políticas sociais e cooperação entre os países. “Para o Brasil a unica guerra que precisamos travar é contra a fome e desigualdade”, declarou.
O evento é organizado pelo CAF, o Banco de Desenvolvimento da América Latina, e reúne mais de 2.500 lideranças políticas, empresariais e acadêmicas. O encontro é conhecido como o “Davos latino-americano”.
Integração regional e críticas ao cenário internacional
Lula destacou que os países da América Latina e Caribe precisam aproveitar espaços como o fórum para debater interesses comuns e fortalecer a integração regional.
Ele afirmou que, dois séculos após o Congresso do Panamá, a região vive um momento de fragmentação e ausência de coordenação diante de desafios globais.
No discurso, o presidente mencionou que organismos regionais não têm conseguido reagir de forma conjunta a crises recentes, como a pandemia de Covid-19 e as mudanças climáticas. Também criticou o avanço do protecionismo e do unilateralismo no cenário internacional.
Segundo Lula, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo, a falta de lideranças regionais com convicção e a ausência de cooperação efetiva tornam os países latino-americanos mais frágeis em um mundo de instabilidade.
Críticas ao uso da força e referência à Venezuela
De acordo com o G1, durante a fala, Lula citou a existência de “intervenções militares ilegais” na América Latina e Caribe e criticou a falta de posicionamento de organismos regionais sobre essas ações.
“A história mostra que o uso da força jamais pavimentará o caminho para superar as mazelas que afligem esse hemisfério que é de todos nós. A divisão do mundo em zonas de influencias e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos e retrocessos históricos”, afirmou.
O presidente não citou diretamente o caso, mas no início do mês os Estados Unidos invadiram a Venezuela, capturaram Nicolás Maduro e sua esposa, em uma operação que deixou mortos. O episódio já havia sido criticado por Lula em outras declarações públicas.
Ainda assim, ele lembrou que os Estados Unidos já tiveram momentos de cooperação com a região, citando a política de boa vizinhança do presidente Franklin Roosevelt.
Brasil como exemplo de estabilidade e crescimento
Lula afirmou que o Brasil escolheu o caminho da democracia, da paz e do comércio internacional baseado no diálogo.
Ele apresentou dados da economia brasileira desde 2023, mencionando crescimento acima da média mundial, aumento da renda dos trabalhadores, saída do país do mapa da fome da Organização das Nações Unidas (ONU) e redução do desemprego.
O presidente também destacou investimentos de cerca de US$ 90 bilhões em energias verdes, a liderança brasileira em biocombustíveis e a ampliação de acordos comerciais, como os firmados entre Mercosul e União Europeia, Mercosul e Singapura, além de negociações com Índia, México, Canadá, Emirados Árabes Unidos e Japão.
Segundo ele, a região possui grande potencial energético, diversidade de solos e climas, abundância de minerais estratégicos e um mercado consumidor expressivo, fatores que poderiam sustentar uma inserção mais competitiva no cenário global.
Encontro com José Antonio Kast e agenda internacional
Como divulgado pela CNN Brasil, na terça-feira (27), Lula se reuniu com o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast. Após o encontro, o chileno classificou a conversa como produtiva e afirmou que a relação entre os dois países deve ser tratada como política de Estado.
A agenda no Panamá também inclui a condecoração de Lula com a Ordem Manuel Amador Guerrero, a mais alta honraria concedida pelo país a chefes de Estado.
O presidente brasileiro ainda afirmou que pretende se reunir com Donald Trump em março, em Washington, para fortalecer o diálogo institucional entre Brasil e Estados Unidos.

