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Geopolítica

Quem é Kevin Warsh, economista escolhido por Trump para liderar o Banco Central dos EUA?

Experiente, o indicado precisará conciliar expectativas políticas, reação do mercado e um cenário econômico ainda sensível

Kevin Warsh vence no Senado dos EUA e será o próximo presidente do Federal Reserve

O economista Kevin Warsh passou ao centro do debate econômico nos Estados Unidos após ser indicado pelo presidente Donald Trump para comandar o Federal Reserve, o Banco Central do país. A nomeação ocorre em meio a críticas públicas de Trump à atual política de juros e a um embate aberto com o então presidente da instituição, Jerome Powell.

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A indicação ainda depende de confirmação do Senado, mas já provocou reação nos mercados e entre especialistas. Warsh é visto como alguém capaz de dialogar com a Casa Branca sem romper totalmente com a tradição de autonomia da autoridade monetária americana, segundo análise publicada pela BBC News Brasil.

Trump elogiou o indicado ao anunciar a escolha. “Conheço Kevin há muito tempo e não tenho dúvidas de que ele será lembrado como um dos GRANDES presidentes do Fed, talvez o melhor”, escreveu o presidente. Em seguida, reforçou: “Ele é perfeito para o papel e nunca decepciona”.

A escolha ocorre após meses de tensão entre Trump e Powell, intensificada quando o banco central decidiu manter os juros entre 3,5% e 3,75%, mesmo com pressões do governo por cortes imediatos.

Trajetória no sistema financeiro

Com 55 anos, Warsh é um veterano de Wall Street. Ele integrou o Conselho de Governadores do Federal Reserve entre 2006 e 2011, período marcado pela crise financeira global. Na época, construiu reputação de perfil mais rigoroso no combate à inflação, postura conhecida no mercado como hawkish.

Após deixar o banco central, manteve atuação ativa no debate econômico. Tornou-se membro do Hoover Institution, centro de estudos de orientação conservadora voltado a políticas públicas, e passou a integrar o conselho da empresa de logística UPS.

Nos últimos anos, sua posição pública começou a mudar. Warsh passou a defender maior flexibilidade na política monetária, o que o aproximou do discurso de Trump sobre a necessidade de juros mais baixos no curto prazo.

Proximidade com Trump e visão atual

A relação entre Warsh e o entorno do presidente vai além da afinidade ideológica. Seu sogro, o empresário Ronald Lauder, é aliado antigo e doador do republicano, fator que também pesa na leitura política da indicação.

Em dezembro, Trump afirmou ao Wall Street Journal: “Ele acha que é preciso reduzir as taxas de juros”. A declaração reforçou a percepção de que Warsh poderia apoiar mudanças mais rápidas na condução da política monetária.

Ainda assim, analistas ponderam que o histórico do economista sugere cautela. Para a editora adjunta de economia da BBC, Dharshini David, Warsh é um caso incomum por agradar tanto ao presidente quanto a investidores. “Warsh acredita que as taxas de juros deveriam estar em patamar mais baixo que o atual e que a revolução da inteligência artificial pode ajudar a conter as pressões inflacionárias — alinhando-se com o presidente”, escreveu.

Ela acrescenta que parte do mercado vê no passado do economista sinais de pragmatismo, especialmente no controle da inflação.

Desafio à frente

Caso seja aprovado pelo Senado, Warsh assumirá em um momento delicado. A investigação envolvendo Powell, o ritmo mais lento do mercado de trabalho e a inflação ainda acima da meta de 2% formam um cenário de pressão constante.

Ele terá de demonstrar credibilidade ao equilibrar as demandas políticas por juros menores com a necessidade de preservar a confiança dos mercados. “Economistas sugerem que Warsh pode optar por não pressionar por cortes nas taxas de juros imediatamente, para enfatizar que a independência do banco central americano foi mantida”, conclui Dharshini David.

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