Publicidade
Justiça

Um gesto de união

Dias Toffoli e Alexandre de Moraes compareceram ao evento no CNJ. Eles não precisavam ter ido, e normalmente não vão

Um gesto de união

As posses no Conselho Nacional de Justiça costumam ser simples, se comparadas a outras realizados em Brasília. Mas o evento desta terça-feira (3), organizado para celebrar a chegada da desembargadora Jaceguara Dantas da Silva e do juiz Fabio Francisco Esteves e a recondução da advogada da União Daiana Nogueira de Lira ao CNJ, também serviu para mostrar que o Judiciário está unido.

Publicidade

Os ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli e Alexandre de Moraes compareceram ao evento conduzido por Luiz Edson Fachin, presidente do STF e do CNJ. Eles não precisavam ter ido ao Conselho, e normalmente não vão.

A presença da dupla Suprema ao lado de Fachin, no dia seguinte ao presidente do STF e do CNJ defender – mesmo sob forte resistência interna – um Código de Conduta, é um meio de mostrar unicidade.

Moraes, próximo presidente do STF e do CNJ, e Toffoli são os ministros mais abalroados pelo Caso Master. Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre, tinha um contrato milionário com o banco de Daniel Vorcaro. Toffoli é o relator da ação no STF que investiga a instituição e tem relações com pessoas que orbitam a apuração.

Fachin disse na segunda-feira (2), na sessão do STF que abriu os trabalhos do Ano Judiciário de 2026, que discordâncias entre os ministros do Supremo não significam inimizades nem rivalidades.

Além do trio do STF, também estiveram presentes Herman Benjamin, presidente do Superior Tribunal de Justiça, e Guilherme Caputo Bastos, vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho e ex-conselheiro do CNJ.

A cerimônia desta terça-feira no CNJ serviu ainda para mais um afago de Fachin à política. O ministro do STF fez questão de citar Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, que era aguardado no evento e até incluiu o compromisso em sua agenda, mas não compareceu e mandou o primeiro secretário da Casa, Carlos Veras, em seu lugar.

Fachin disse que Motta tem tido importante função ao tocar pautas importantes para o Judiciário. Na segunda-feira, o presidente do STF e do CNJ foi bem explícito ao dizer que políticas públicas e anseios sociais devem ser discutidos no Congresso.

A gentileza de Fachin à política foi ouvida pela senadora Soraya Thronicke e por Celina Leão, vice do Governo do Distrito Federal, umas das gestões mais enroscadas ao Caso Master.