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Geopolítica

Índia negocia com Brasil, Canadá, França e Holanda acordos estratégicos para minerais críticos

O país asiático amplia articulações externas para assegurar insumos estratégicos e reduzir riscos geopolíticos

Índia negocia com Brasil, Canadá, França e Holanda acordos estratégicos para minerais críticos

A Índia abriu negociações com Brasil, Canadá, França e Holanda para firmar acordos conjuntos voltados à pesquisa, extração, processamento e reciclagem de minerais considerados estratégicos. A iniciativa faz parte de uma ofensiva internacional do governo indiano para garantir o fornecimento de matérias-primas essenciais à transição energética e ao crescimento industrial do país.

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De acordo com a Reuters, as conversas ainda são confidenciais e têm como foco principal o lítio e os chamados elementos de terras raras. Além do acesso aos recursos naturais, a Índia busca tecnologias avançadas para o processamento mineral, etapa considerada crucial para reduzir gargalos produtivos e diminuir a dependência externa.

A movimentação ocorre em um contexto de forte concentração global da produção e do beneficiamento desses minerais, hoje dominados pela China. Especialistas do setor de mineração apontam que essa dependência reforça a necessidade de diversificação de parceiros internacionais, especialmente diante dos planos indianos de reduzir emissões e ampliar fontes de energia limpa.

Esforço internacional para reduzir dependência chinesa

A China é atualmente o principal fornecedor mundial de diversos minerais críticos e também lidera as tecnologias de mineração e refino. Essa posição estratégica tem levado países como a Índia a buscarem alternativas, firmando parcerias com múltiplas nações para mitigar riscos geopolíticos e econômicos.

Apesar da urgência, o caminho até a produção é longo. Especialistas lembram que o ciclo da mineração, desde a descoberta até a operação comercial, pode levar anos. Apenas a fase de exploração costuma durar entre cinco e sete anos e, em muitos casos, não resulta na abertura de uma mina viável.

Ainda assim, a Índia pretende avançar. O país quer replicar elementos de um acordo sobre minerais críticos firmado com a Alemanha em janeiro deste ano. Esse entendimento inclui cooperação em exploração, processamento e reciclagem, além da aquisição e do desenvolvimento de ativos minerais tanto nos territórios nacionais quanto em países terceiros.

Modelo alemão serve de referência

De acordo com uma das fontes, o governo indiano avalia aplicar um modelo semelhante nas negociações em curso com os novos parceiros. “Há solicitações em andamento e estamos conversando com França, Holanda e Brasil, enquanto o acordo com o Canadá está sob análise ativa”, afirmou a fonte à Reuters.

O Ministério de Minas da Índia lidera as tratativas, que envolvem diferentes frentes diplomáticas e técnicas. No caso do Canadá, as negociações estão mais avançadas. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, deve visitar a Índia no início de março, com a expectativa de assinatura de acordos nas áreas de urânio, energia, minerais e inteligência artificial.

Questionado sobre o tema, o Departamento de Recursos Naturais do Canadá remeteu a uma declaração de janeiro, na qual os dois países afirmaram que concordaram em formalizar a cooperação sobre minerais críticos nas próximas semanas.

Reações diplomáticas e contexto global

As embaixadas do Brasil, em Nova Délhi, e os ministérios indianos de Minas e das Relações Exteriores não responderam aos pedidos de comentário da Reuters. A representação diplomática da Holanda optou por não se manifestar, enquanto a embaixada da França recusou comentar as negociações.

A ampliação do engajamento internacional da Índia não se limita a esses países. O governo já firmou pactos com Argentina, Austrália e Japão, além de manter diálogos com Peru e Chile para acordos bilaterais mais amplos, que também incluem minerais críticos.

Esse movimento acontece em paralelo a debates globais sobre segurança de suprimentos. No mês passado, ministros das Finanças do G7 e de outras grandes economias se reuniram em Washington para discutir estratégias que reduzam a dependência das terras raras chinesas.

Importância estratégica dos minerais críticos

Em 2023, a Índia classificou mais de 20 minerais como críticos para sua transição energética e para atender à crescente demanda da indústria e do setor de infraestrutura. Entre eles está o lítio, essencial para baterias usadas em veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia.

Ao buscar acordos com diferentes países, a Índia sinaliza uma estratégia de longo prazo para garantir acesso estável a esses insumos. A iniciativa também reflete a tentativa de integrar cadeias globais de valor, indo além da extração e apostando no domínio tecnológico do processamento e da reciclagem.

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