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Geopolítica

O que Lula quer discutir no G7 e quais líderes estão na mira das reuniões?

Presidente brasileiro busca avançar em negociações comerciais com Estados Unidos, União Europeia e Japão

O que Lula quer discutir no G7 e quais líderes estão na mira das reuniões?

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa nesta terça-feira (16) da cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França, com uma agenda voltada para negociações comerciais e articulações diplomáticas.

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Embora uma eventual conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha atraído atenção nos bastidores, o governo brasileiro também busca tratar de barreiras impostas pela União Europeia e avançar em acordos com outros parceiros econômicos.

A estratégia do Palácio do Planalto é aproveitar os encontros bilaterais para ampliar o acesso de produtos brasileiros a mercados internacionais, especialmente da carne bovina.

Tarifas dos EUA entram na agenda brasileira

A principal preocupação envolvendo os Estados Unidos é a possibilidade de uma nova rodada de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

A medida foi anunciada por Washington sob a justificativa de supostas práticas comerciais consideradas desleais e tem prazo de negociação até 15 de julho.

Apesar da presença simultânea de Lula e Trump na cúpula, não há reunião bilateral prevista entre os dois líderes. O Palácio do Planalto decidiu não solicitar um novo encontro formal, argumentando que ambos já haviam se reunido recentemente na Casa Branca.

Integrantes do governo consideram improvável uma conversa aprofundada sobre o tema durante o evento. Mesmo que haja um encontro informal nos corredores ou durante jantares oficiais, auxiliares de Lula avaliam que um assunto complexo como a disputa tarifária exige negociações conduzidas pelos responsáveis pelas áreas comerciais dos dois países.

Carne brasileira também preocupa o governo

As discussões comerciais do Brasil no G7 não se limitam aos Estados Unidos. O governo pretende concentrar esforços junto às autoridades da União Europeia para tentar reverter restrições impostas às exportações brasileiras de carne.

A União Europeia oficializou recentemente a proibição da importação de carne, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deverá entrar em vigor em setembro e foi justificado pelo bloco europeu com base em exigências sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.

O presidente francês Emmanuel Macron surge como um interlocutor importante. Apesar da proximidade política entre Lula e Macron em temas como meio ambiente e multilateralismo, os dois mantêm divergências em relação ao acordo entre Mercosul e União Europeia.

O governo francês tem defendido medidas de proteção aos produtores rurais do país e manifestado resistência à ampliação do acesso de produtos agrícolas sul-americanos ao mercado europeu.

Reuniões com União Europeia devem tratar do embargo

Lula tem agenda prevista com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para discutir diretamente as restrições à carne brasileira. A expectativa do governo é que o tema seja um dos principais assuntos do encontro.

A negociação sobre o embargo é conduzida institucionalmente por Bruxelas, sede da União Europeia, e não individualmente pelos países-membros.

Por esse motivo, a reunião com Von der Leyen e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, é considerada mais relevante para tratar do tema do que os encontros bilaterais com líderes nacionais.

Além da carne bovina, o governo brasileiro pretende discutir a implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia e outras medidas voltadas para facilitar o comércio entre os dois blocos.

Japão, Suíça e Egito estão entre os encontros previstos

Além dos temas ligados às tarifas e às barreiras comerciais, Lula aproveita o G7 para ampliar a agenda econômica brasileira com outros parceiros. Uma das reuniões consideradas estratégicas é com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.

Durante o encontro, o presidente brasileiro defendeu o avanço das negociações para um acordo comercial entre Mercosul e Japão. A expectativa do governo é que o lançamento formal das tratativas ocorra ainda neste mês durante a próxima cúpula do Mercosul.

Lula também se reuniu com o presidente da Suíça, Guy Parmelin. Os dois discutiram a ampliação das relações econômicas, o acordo entre Mercosul e EFTA, bloco formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein e áreas de cooperação como inteligência artificial, minerais críticos, saúde e transição energética.

Também estão previstas reuniões bilaterais com representantes da Interpol, além de encontros com líderes da Alemanha, Canadá, Itália, Reino Unido e Egito ao longo da programação da cúpula.

Lula também utiliza a participação no G7 para defender pautas multilaterais. Ao lado da Organização Mundial da Saúde (OMS), o presidente pediu que as economias mais ricas concluam as negociações do tratado internacional para futuras pandemias.

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