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Política

Ibaneis Rocha admite que hospitais prometidos não serão entregues e desgaste pode chegar às urnas

Promessas feitas após a reeleição não avançaram e obras seguem paradas ou em estágio inicial

Ibaneis Rocha admite que hospitais prometidos não serão entregues e desgaste pode chegar às urnas

Nenhum dos cinco hospitais anunciados pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), para o segundo mandato será concluído dentro do período prometido. A informação foi confirmada pela Secretaria de Saúde do DF e expõe um quadro de atrasos que atinge também unidades básicas e pronto-atendimentos. O tema ganhou repercussão política por envolver compromissos assumidos publicamente após a reeleição de 2022 e pode ter reflexos no debate eleitoral dos próximos anos.

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Logo após vencer a disputa pelo segundo mandato, ainda em 2022, Ibaneis afirmou, em entrevista à TV Globo, que três hospitais regionais seriam entregues em até dois anos, localizados no Recanto das Emas, em São Sebastião e no Guará. Em declarações posteriores, o governador incluiu um hospital regional no Gama. O plano de governo também previa a construção do Hospital Oncológico de Brasília Jofran Frejat, apontado no documento como uma obra já iniciada.

Diante do cenário atual, o próprio governador relativizou as promessas. Ibaneis Rocha afirmou ao G1 que parte dos projetos ultrapassa o tempo de um mandato. “Em momento algum, me comprometi com a entrega no meu mandato”, disse.

Situação dos hospitais expõe baixo avanço das obras

O custo total estimado para os cinco hospitais supera R$ 1,2 bilhão e, caso fossem concluídos, resultariam em 704 novos leitos para a rede pública. Apesar do volume de recursos envolvidos, nenhuma das unidades está próxima de ser entregue.

No Recanto das Emas, apenas 3,09% do projeto foi executado. O contrato prevê investimento de R$ 133,7 milhões, e o governo afirma aguardar documentação técnica com cronograma atualizado. O Hospital Ortopédico do Guará apresenta situação semelhante, com apenas 2,19% de execução e contrato de R$ 174 milhões.

Em São Sebastião, as obras sequer começaram. A Secretaria de Saúde informou que aguarda autorização da Caixa Econômica Federal para a emissão da ordem de serviço. O valor contratado é de R$ 165,9 milhões. Já o Hospital Oncológico de Brasília Jofran Frejat ainda está em fase de licitação, com abertura prevista para 11 de fevereiro de 2026. O valor estimado do certame é de R$ 374,1 milhões.

O novo Hospital Regional do Gama também não saiu do papel. A obra depende da elaboração de documentação técnica pela Novacap e tem custo estimado em R$ 360 milhões.

UBSs e UPAs também enfrentam atrasos

O problema não se restringe aos hospitais. Entre as 18 Unidades Básicas de Saúde prometidas, apenas três foram entregues no segundo mandato até o início de 2026. As UBSs concluídas ficam em Santa Maria, Chapadinha, em Brazlândia, e Ponte Alta, com valores individuais que variam entre cerca de R$ 5,9 milhões e R$ 10,6 milhões.

Outras duas unidades seguem em obras, ambas em Brazlândia e na Estrutural, com previsão de conclusão apenas em 2026. Além disso, 19 UBSs permanecem nas fases de licitação ou preparação técnica, sem início efetivo das construções.

No caso das Unidades de Pronto Atendimento, nenhuma foi concluída durante o atual mandato. As últimas entregas ocorreram entre 2021 e 2022. Atualmente, seis UPAs estão em construção, com percentuais de avanço ainda baixos, e uma segue em processo contratual. As previsões de entrega se concentram ao longo de 2026, variando entre o primeiro e o segundo semestre.

Ajustes no orçamento

Mesmo com cronogramas que empurram entregas para o futuro, o governador sinalizou restrições financeiras na área da saúde. Em janeiro, Ibaneis afirmou que será necessário reduzir despesas ao longo do ano. “O orçamento da Saúde não suportou todos os gastos. Estamos usando Fonte 100 [dinheiro do orçamento que não estava ‘carimbado’ para a Saúde anteriormente]. Aumento do preço de insumos e desequilíbrio no contrato do IGES. Esse ano vamos ter que manter o cinto apertado”, disse o governador.

A declaração ocorreu após questionamentos sobre atrasos no repasse de recursos ao Hospital da Criança, situação que levou ao fechamento temporário de leitos de UTI e enfermaria em dezembro. O conjunto de atrasos e dificuldades orçamentárias reforça críticas sobre planejamento e execução das políticas públicas de saúde, tema que tende a ganhar peso no debate político local, especialmente em períodos eleitorais.

Análise do impacto político e possíveis reflexos eleitorais

O conjunto de atrasos, promessas não cumpridas e explicações apresentadas ao longo do texto constrói um cenário que ultrapassa a esfera administrativa e entra diretamente no campo político. A saúde é tradicionalmente uma das áreas mais sensíveis para o eleitorado e a constatação de que anúncios feitos após a reeleição não se converteram em entregas concretas tende a fragilizar o discurso de gestão e planejamento. A admissão de que os hospitais não serão concluídos dentro do período esperado reforça a percepção de desalinhamento entre expectativa criada e capacidade de execução do governo.

Em um contexto eleitoral, esse tipo de desgaste costuma ser explorado por adversários como evidência de falhas estruturais e de prioridades mal definidas. A soma de obras paradas, cronogramas empurrados para mandatos seguintes e restrições orçamentárias declaradas pode influenciar a avaliação do governo por parte do eleitor e pesar na construção de narrativas sobre legado, continuidade e confiança administrativa.

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