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Justiça

Judiciário gastou quase meio bilhão com “penduricalhos” em janeiro

A suspensão dos penduricalhos serve como estratégia para impedir os supersalários no serviço público

Judiciário gastou quase meio bilhão com “penduricalhos” em janeiro

Com penduricalhos, quase 4.000 magistrados tiveram rendimentos de cerca de R$ 100 mil em janeiro, valor que ultrapassa em mais do que o dobro do teto constitucional. O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a suspensão dos benefícios que autorizam esses pagamentos e a reavaliações de outros auxílios concedidos.

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Os “penduricalhos” incluem verbas indenizatórias, gratificações e auxílios pagos a servidores públicos que, antes da decisão, podiam ultrapassar do teto salarial. Entram nessa conta a gratificação por exercício cumulativo, auxílio-pré-escolar, indenização por uso de telefone e benefício especial.

Milhões em penduricalhos

Segundo dados de remuneração do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no primeiro mês de 2026, foram realizados 14.097 pagamentos a magistrados. Conforme analisado pelo Uol, 82% dos servidores públicos que fazem parte do Poder Judiciário receberam acima de R$ 46.366,19, teto salarial estipulado pela Constituição Federal.

Os número detalhados apontam que 11.603 receberam acima de R$ 46.366,19, outros 3.815 ganharam R$ 100 mil líquidos, o que representa 27% de toda a folha de pagamento. Em janeiro, os cofres públicos desembolsaram R$ 425.901.499,72 nos salários-base, R$ 431.799.757,33 em penduricalhos e R$ 239.251.833 em 13º e férias.

Em nota, o CNJ afirmou que seu papel é o controle posterior e a análise de eventual ilegalidade. “No âmbito do CNJ, em observância às Resoluções n.13/2006 e 14/2006, que tratam do teto constitucional, a Corregedoria Nacional de Justiça é responsável por acompanhar, apurar e determinar a suspensão de casos irregulares de pagamento a magistrados e servidores do Judiciário. Ou seja, os salários são fixados por cada tribunal e o CNJ exerce um controle posterior e examina eventual ilegalidade”.

Judiciário lidera pagamentos de penduricalhos

Conforme já noticiado pelo O Brasilianista, em 2024, o poder judiciário foi o que mais utilizou parcelas indenizatórias. Os dados mostram que os magistrados receberam salários acima do teto, que custaram cerca de R$ 6,7 bilhões a mais para as contas públicas. No ano, alguns juízes podem ter chegado a ganhar cerca de $ 270 mil em salário.

Já de acordo com o levantamento Benchmark internacional relacionado ao teto salarial no setor público aponta, que entre agosto de 2024 a julho de 2025, as contas públicas precisaram pagar mais de R$ 20 bilhões em salários classificados como penduricalhos a partir das verbas indenizatórias.

Segundo a decisão do ministro Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, a suspensão dos penduricalhos serve como estratégia para impedir os supersalários no serviço público. Além disso, o ministro classificou os benefícios como inconstitucionais.

“Esta Suprema Corte já se pronunciou sobre a inconstitucionalidade de diversas prestações pecuniárias que, revestidas do aspecto formal de parcelas indenizatórias ou de pagamento por serviço excepcional, tratava-se, na realidade, de vantagens remuneratórias dissimuladas, resultantes do mero exercício ordinário pelo agente estatal de atividades funcionais inerentes às atribuições de seu cargo, como a ‘indenização de estímulo operacional’ e a ‘indenização por regime especial de trabalho policial'”.

Lista de benefícios extras além do teto

  • Abono pecuniário
  • Adicional por plantão
  • Ajuda de custo
  • Auxílio-alimentação
  • Auxílio-saúde
  • Auxílio-pré-escolar
  • Auxílio-natalidade
  • Auxílio-moradia
  • Auxílio-creche
  • Auxílio-transporte
  • Benefício especial
  • Bolsa pós-graduação
  • Gratificação por exercício cumulativo
  • Gratificação por encargo (referente a atividades extras ligadas a treinamentos, cursos ou concursos públicos)
  • Licença prêmio/remunerada
  • Indenização por assunção de acervo
  • Indenização por uso de telefone
  • Pagamentos retroativos

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