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Geopolítica

EUA intensificam cooperação com Delcy Rodríguez em meio a rachas na oposição venezuelana

Reconfiguração do poder gera incerteza institucional e revela divisão entre grupos contrários ao chavismo

Venezuela aprova lei de anistia após captura de Nicolás Maduro e reação da oposição

A Venezuela vive um novo momento político após a captura do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, episódio que desencadeou mudanças profundas no país e reacendeu disputas dentro da oposição. O cenário atual reúne diferentes lideranças que tentam influenciar o futuro da nação enquanto uma transição é conduzida por setores ligados ao próprio chavismo.

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A reorganização do poder ocorre em meio a medidas como abertura econômica, libertação de presos políticos e tentativas de reaproximação diplomática com Washington. Ao mesmo tempo, grupos opositores enfrentam dificuldades para construir uma estratégia comum diante do novo quadro político.

Segundo a CNN Brasil, o processo de transição passou a ser liderado pela então vice-presidente Delcy Rodríguez, que assumiu como presidente interina com apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendendo setores contrários ao chavismo. Desde então, ela busca fortalecer relações com o governo norte-americano e atender às demandas da Casa Branca.

Trump afirmou recentemente: “Delcy fez um trabalho muito, muito bom, e a relação é sólida”. Também declarou: “Neste momento, a relação com a Venezuela é a melhor possível”.

O avanço dessa transição, porém, intensificou divergências entre líderes oposicionistas e revelou diferentes visões sobre o futuro político do país.

Lideranças disputam protagonismo na oposição

A principal figura da oposição nos últimos anos é María Corina Machado, fundadora do partido Vente Venezuela. Impedida de concorrer nas eleições presidenciais de 2024, ela apoiou a candidatura de Edmundo González, tornando-se um dos principais nomes contra o chavismo.

Após o governo anunciar vitória nas eleições sem apresentar atas oficiais, Machado e González contestaram o resultado. A crise política levou a líder oposicionista a atuar na clandestinidade e, posteriormente, deixar o país de forma discreta em 2025. No mesmo período, ela recebeu o Prêmio Nobel da Paz venezuelano, o que gerou tensão política internacional.

A trajetória de Machado na oposição começou anos antes. Ela passou a criticar o governo do ex-presidente Hugo Chávez em 2004 e foi eleita deputada da Assembleia Nacional em 2010, consolidando-se como uma das vozes mais críticas do chavismo.

Apesar de seu protagonismo, Trump questionou sua capacidade de liderar o país ao afirmar: “Acho que seria muito difícil para ela ser a líder. Ela não conta com apoio nem respeito dentro do país”. Mesmo assim, ela continua sendo uma das principais referências políticas da oposição venezuelana.

Experiência política e divergências estratégicas

Embora tenha surgido mais recentemente no cenário político, Edmundo González tornou-se figura central da oposição ao disputar a eleição presidencial de 2024 pela Plataforma Unitária Democrática. Diplomata de carreira, ele assumiu a candidatura após a impossibilidade de participação de Machado e de sua sucessora indicada, Corina Yoris.

Mesmo vivendo no exílio na Espanha, González afirma ter vencido a eleição e reivindica o cargo de presidente eleito, posição rejeitada pelo governo venezuelano e pelo Conselho Nacional Eleitoral. Ainda não há clareza sobre qual será seu papel na atual transição política.

Outro nome relevante é Henrique Capriles, considerado um dos líderes históricos da oposição. Ele enfrentou Hugo Chávez nas eleições presidenciais de 2012 e disputou o pleito seguinte contra Maduro, cujo resultado contestou ao declarar que era “ilegítimo” e pedir a “auditoria das eleições para alcançar a verdade”.

Nos anos seguintes, Capriles manteve influência política mesmo com a fragmentação da oposição e a crise econômica que provocou grande migração de venezuelanos. Nos últimos tempos, ele se afastou de Machado em questões estratégicas, como a possibilidade de intervenção militar estrangeira e a participação nas eleições legislativas de 2025, nas quais foi eleito deputado.

Após a queda de Maduro, Capriles defendeu diálogo com o novo governo interino e declarou que a Venezuela “vive momentos de tensão e incerteza”, afirmando que pretende “contribuir, a partir do lugar que corresponda, para uma transição ordenada e evitar erros que nos custem anos adicionais de retrocesso”.

Ele também destacou a necessidade de direitos civis para qualquer mudança política, dizendo: “Aqui não se pode falar de transição ou mudanças profundas enquanto não falarmos de liberdades pessoais, e a liberdade pessoal não se restringe apenas a não ir preso; as liberdades pessoais são muito mais amplas”.

Prisões e novos desafios políticos

Outro nome relevante é Juan Pablo Guanipa, que permaneceu no país durante a crise política. Ele passou meses preso após acusações de participação em um suposto plano de “terror”, o que sempre negou.

Recentemente, Guanipa esteve entre centenas de presos políticos libertados pelo governo venezuelano, mas voltou a ser detido poucas horas depois por alegado descumprimento das condições impostas para sua libertação.

O episódio evidencia que, apesar da transição política em curso, o cenário interno ainda é marcado por tensões, disputas de poder e incertezas sobre o rumo institucional do país.

Enquanto o governo interino tenta reorganizar relações internacionais e implementar mudanças econômicas, a oposição segue fragmentada e sem consenso sobre como conduzir o processo político. O desfecho dessa disputa poderá definir o futuro da Venezuela após décadas de domínio chavista.

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