Passada a folia, o Congresso Nacional retoma os trabalhos no dia 23 de fevereiro com uma pauta que mistura disputas políticas, indicações estratégicas e projetos de forte impacto institucional. O ano começou oficialmente em 2 de fevereiro, mas o calendário é implacável: como 2026 é ano eleitoral, deputados e senadores terão até julho para avançar nas matérias mais sensíveis antes que as articulações para as urnas dominem de vez o plenário.
Entre os temas mais delicados está a ainda não formalizada indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. Escolhido por Lula para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, o advogado-geral da União enfrentou resistência no Senado, que via com simpatia o nome de Rodrigo Pacheco. O governo segurou o envio da mensagem, mas agora aposta em ambiente menos hostil. A palavra final passa pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e pela CCJ comandada por Otto Alencar (PSD-BA).
Economia
Outra bomba-relógio é a PEC 65, que amplia a autonomia financeira e orçamentária do Banco Central do Brasil. O relator Plínio Valério tenta destravar a proposta na CCJ, mas o Planalto segue desconfiado. O temor é que a gestão própria da folha e maior independência orçamentária abram precedente para efeito dominó em outras autarquias.
No campo das indicações, também aguarda despacho a escolha de Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários. O tema já causou ruídos políticos no ano passado e depende de andamento na Comissão de Assuntos Econômicos.
Na agenda econômica também há o Redata, regime especial de tributação para datacenters, que tramita em urgência na Câmara dos Deputados. É uma das apostas do governo para sinalizar modernização e atração de investimentos.
Na Câmara
Na Câmara dos Deputados, a chamada PEC da Escala 6×1, que reduz a jornada de trabalho, também está no radar. Ainda sem relator na CCJ da Câmara, a proposta deve entrar na mesa de negociações entre Lula e o comando da Casa nas próximas semanas.
O presidente Hugo Motta também sinalizou que deve manter Guilherme Derrite na relatoria do PL Antifacção. O projeto começa a pressionar a pauta e há conversas para eventual retirada da urgência, numa tentativa de reorganizar o debate. Governistas trabalham para fazer prevalecer o texto aprovado no Senado.
No plano internacional, avança o acordo entre Mercosul e União Europeia. O relatório do deputado Arlindo Chinaglia será apreciado no Parlamento do Mercosul antes de seguir ao plenário do Congresso via Projeto de Decreto Legislativo. Tema sensível, envolve interesses do agronegócio, indústria e política ambiental.
TCU
Por fim, a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz abre disputa pela vaga no Tribunal de Contas da União. O acordo que previa o nome de Odair Cunha já enfrenta concorrência de Hugo Leal, enquanto o União Brasil avalia lançar Elmar Nascimento ou Danilo Forte.

