Em decisão, o Banco Central determinou, nesta quarta-feira (18), a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, que inclui a Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. A instituição financeira, que era controlada pelo ex-CEO e ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, pode colocar em esquecimento uma instituição que remonta a 1967.
Ao longo de quase seis décadas, o conglomerado passou por diferentes fases, com reposicionamentos no mercado financeiro e trocas de comando, envolvida diretamente com Semp Toshiba e com o banco Indusval. Mais recentemente, o grupo teve ligação com o Banco Master, por meio de Augusto Ferreira Lima, que também chegou a ser sócio da instituição financeira de Daniel Vorcaro.
Corretora de valores
Estruturada, a princípio, para funcionar como corretora de valores, a empresa foi fundada pela Comind, em conjunto com Sérgio Barbosa. O projeto nasceu no contexto das transformações que surgiram através da Lei 157, com mais oportunidades de descontos fiscais para investidores de fundos, o que reformulou regras do mercado de capitais e contribuiu para a expansão de instituições voltadas à intermediação financeira.
Aproximadamente três anos após a fundação, a Comind adquiriu a participação de Sérgio Barbosa e iniciou negociações para a entrada de um novo parceiro estratégico. O movimento resultou na integração com o Banco Indusval, com fusão das atividades e reorganização da estrutura societária, conforme informações do Relatório Anual 2011.
O movimento de integração entre a Comind e o Banco Indusval resultou, em 1991, na unificação das operações como instituição bancária com uma única estrutura jurídica. Os anos seguintes foram marcados pela fusão também com o Multistock, além da procura de mais sócios para conseguir suprir as despesas, com a conquista da gestora estadunidense Warburg Pincus.
A partir do envolvimento de várias empresas e sócios com a tentativa de manter a instituição financeira de pé, em 2019, o banco passou a ser administrado pela consultoria Estáter, que mudou o nome para Banco Voiter. Nesta etapa, a venda de várias partes resultou no fechamento do capital da empresa, segundo informações da Times Brasil.
Envolvimento com o Banco Master
Após várias tentativas para tentar vender o Banco Voiter, em 2024, a instituição foi comprada pelo então dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, passando a se chamar Banco Pleno. O envolvimento das duas empresas causaram estranheza por parte da autoridade monetária, mas foi autorizado pela ausência de sinais concretos que pudessem impedir a operação entre as empresas.
O resultado foi a liquidação extrajudicial do Banco Master, em novembro de 2025, que culminou na prisão de Augusto Lima e de Daniel Vorcaro, investigado por fraudes financeiras que ainda vêm sendo apuradas pela Polícia Federal.
Liquidação do Banco Pleno
Conforme noticiado pelo O Brasilianista, o Banco Central justificou a medida de liquidação extrajudicial em razão do comprometimento da situação econômico-financeira da instituição financeira e da deterioração da sua situação de liquidez. Além disso, surge como motivo a infringência das normas que disciplinam a sua atividade e a falta de adesão das determinações do órgão monetário.
“O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos administradores da instituição objeto da liquidação decretada”, afirmou nota do Banco Central.

