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Economia

Estudo indica que Bolsa Família não reduz trabalho feminino e reacende debate sobre cuidado e crescimento

Pesquisa econômica analisa participação das beneficiárias no emprego formal e informal enquanto governo amplia repasses

Estudo indica que Bolsa Família não reduz trabalho feminino e reacende debate sobre cuidado e crescimento

Após a análise do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre o Bolsa Família, o Governo Federal retomou o debate sobre os efeitos dos programas de transferência de renda no mercado de trabalho e na economia.

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O Bolsa Família é o principal programa de transferência de renda do país. Criado para reduzir a pobreza extrema, ele concede benefício mensal às famílias de baixa renda que cumprem exigências como manter crianças na escola e seguir o calendário de vacinação.

A avaliação do organismo internacional ocorre em um momento em que o desemprego atinge níveis historicamente baixos, mas a participação feminina no mercado ainda enfrenta obstáculos estruturais.

Fundo Monetário Internacional (FMI)

Segundo o FMI, o estudo utilizou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para examinar se o recebimento do benefício desestimula mulheres a buscar emprego.

A conclusão indica que o programa não reduz de forma sistemática a presença feminina na força de trabalho.

A exceção observada envolve mulheres com filhos de até seis anos, grupo em que a participação no emprego aparece menor.

O levantamento também destaca que as brasileiras recebem, em média, 22% menos que os homens, mesmo quando comparados escolaridade, idade, setor de atuação e cargo.

Essa diferença salarial pode influenciar decisões familiares sobre quem permanece em casa para cuidar dos filhos.

O Fundo estima que, caso a diferença de participação entre homens e mulheres seja reduzida pela metade até 2033, o crescimento anual do país poderia aumentar em cerca de 0,5 ponto percentual nesse período.

Entre as propostas apresentadas estão ampliação de creches, serviços de assistência a idosos, ajustes na política de licença parental e aplicação efetiva da Lei da Igualdade Salarial.

O peso da economia do cuidado

Mulheres brasileiras dedicam quase dez horas semanais a mais do que homens às tarefas de cuidado não remunerado. Entre mulheres negras, essa carga é ainda maior.

Esse cenário influencia a decisão de ingresso ou permanência no mercado de trabalho. Quando o custo de deixar os filhos sob cuidados privados é alto e os salários oferecidos são mais baixos, muitas famílias optam pela permanência da mulher em casa.

Nesse contexto, o Bolsa Família atua como complemento de renda, mas não substitui políticas públicas voltadas à ampliação de serviços de cuidado.

Ampliação de repasses e perfil das beneficiárias

De acordo com o Governo Federal, em fevereiro, mais de 18,84 milhões de famílias receberam o benefício, com investimento de R$ 13 bilhões. O valor médio por domicílio ficou em torno de R$ 690.

Ao todo, cerca de 49,3 milhões de pessoas são atendidas. Mais de 84% dos lares beneficiados são chefiados por mulheres, o que significa que elas são responsáveis pela administração do recurso dentro da família.

O calendário de pagamento segue o número final do NIS (Número de Identificação Social), com liberação escalonada ao longo do mês.

Famílias que vivem em municípios em situação de emergência recebem no primeiro dia do cronograma. O programa também prevê valores adicionais.

Crianças de até seis anos recebem complemento de R$ 150 por meio do Benefício Primeira Infância. Há ainda adicionais de R$ 50 para crianças e adolescentes até 18 anos incompletos, gestantes e nutrizes.

Mais de 150 mil famílias passaram a integrar a chamada Regra de Proteção, mecanismo que permite continuar recebendo parte do benefício mesmo após aumento de renda, desde que respeitado determinado limite per capita.

Impacto macroeconômico

A discussão sobre transferência de renda não se restringe ao mercado de trabalho. Ela envolve crescimento econômico, arrecadação e políticas públicas de longo prazo.

Quando mulheres ingressam no mercado, ampliam a base de contribuintes e elevam a renda das famílias. Isso gera consumo, arrecadação tributária e dinamiza a economia.

A análise do FMI sugere que políticas complementares são essenciais para que o benefício não seja visto como substituto da inserção produtiva, mas como apoio temporário em momentos de vulnerabilidade.

Entre incentivo e proteção social

O Bolsa Família transfere, em média, cerca de R$ 680 mensais por família, valor que representa parcela significativa do orçamento de lares de baixa renda.

O programa atende aproximadamente um quarto da população brasileira. O desenho atual busca equilibrar proteção social e incentivo à formalização.

A Regra de Proteção permite que famílias que ultrapassam o limite de renda continuem recebendo parte do benefício por até 12 meses.

A intenção é evitar que trabalhadores recusem emprego formal por medo de perder imediatamente o auxílio.

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