O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursou nesta quinta-feira (19), em Nova Délhi, na Índia, durante a Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, defendendo maior regulação das empresas de tecnologia e uma governança internacional para o uso da IA.
O encontro reúne líderes políticos e executivos para discutir riscos e oportunidades da tecnologia em escala global.
A defesa de regras internacionais para a inteligência artificial recoloca a disputa entre inovação, regulação e poder econômico no centro do debate global, em um momento de aceleração tecnológica e crescente preocupação com impactos sociais, democráticos e econômicos.
Tecnologia entre inovação e risco democrático
Como divulgado pelo G1, durante discurso na Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, o presidente destacou a dualidade da tecnologia e defendeu a necessidade de regras internacionais para o setor.
Ao abordar os efeitos da inovação, o presidente afirmou que a inteligência artificial pode ampliar ganhos sociais, mas também gerar riscos institucionais e democráticos.
Lula declarou: “Toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual e nos confronta com questões éticas e políticas”.
Além disso, comparou a IA a marcos históricos como a aviação, o uso do átomo, a engenharia genética e a corrida espacial, argumentando que esses avanços podem tanto ampliar o bem-estar coletivo quanto produzir ameaças relevantes.
No mesmo discurso, Lula reforçou críticas à concentração de poder nas grandes empresas de tecnologia e defendeu a regulamentação das big techs como instrumento para proteger direitos humanos e a integridade da informação.
O presidente afirmou: “Capacidades computacionais, infraestrutura e capital permanecem excessivamente concentrados em poucos países e empresas. Os dados gerados por nossos cidadãos, empresas e organismos públicos estão sendo apropriados por poucos conglomerados, sem contrapartida equivalente em geração de valor e renda em nossos territórios”.
Ele acrescentou ainda: “Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação”, defendendo governança global inclusiva e cooperação internacional sob coordenação multilateral.
Governança global e riscos sociais da revolução digital
De acordo com a Agência Brasil, Lula afirmou que a Quarta Revolução Industrial avança rapidamente enquanto o multilateralismo recua, defendendo o fortalecimento da governança internacional da inteligência artificial.
Em seu discurso, destacou: “Elas impactam positivamente a produtividade industrial, os serviços públicos, a medicina, a segurança alimentar e energética e a forma como conectamos uns com os outros. Mas também podem fomentar práticas extremamente nefastas, como o emprego de armas autônomas, discurso de ódio, desinformação, pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e meninas e precarização do trabalho”.
Além disso, o presidente alertou para riscos institucionais ao afirmar: “Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia. Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital. São parte de uma complexa estrutura de poder”.
Paralelamente, acrescentou: “A regulamentação das chamadas big techs está ligada ao imperativo de salvaguardar os direitos humanos na esfera digital, promover a integridade da informação e proteger as indústrias criativas de nossos países. O modelo atual de negócio dessas empresas depende da exploração de dados pessoais, da renúncia do direito à privacidade e da monetização de conteúdos chamativos que amplificam a radicalização política”.
Quem ganha, quem perde e próximos passos
O posicionamento brasileiro indica tentativa de ampliar a participação do Sul Global na formulação das regras internacionais de inteligência artificial.
Países em desenvolvimento podem ganhar protagonismo caso propostas de governança inclusiva avancem, enquanto empresas que concentram infraestrutura e dados enfrentam maior pressão regulatória.
Além disso, a repercussão econômica envolve possíveis mudanças nos modelos de negócios das big techs e redefinição de estratégias de investimento em tecnologia.
Ao mesmo tempo, os próximos passos incluem negociações multilaterais, discussões legislativas e avanço de propostas regulatórias nacionais.
Paralelamente, o debate sobre IA passa a envolver diretamente temas como democracia, mercado de trabalho e proteção de dados, mantendo em aberto disputas políticas e econômicas sobre o futuro da tecnologia.

