Os Estados Unidos estão prontos para lançar uma ofensiva contra o Irã já neste fim de semana, mas o presidente Donald Trump ainda não decidiu se autorizará a ação.
A Casa Branca foi informada de que as Forças Armadas norte-americanas podem estar preparadas para agir nos próximos dias, após o envio acelerado de aeronaves e embarcações militares para o Oriente Médio. Apesar do avanço logístico, a decisão final depende exclusivamente do presidente.
De acordo com a CNN Politics, autoridades relataram que Trump tem ponderado diferentes cenários. Em conversas privadas, ele teria apresentado argumentos favoráveis e contrários a uma intervenção, além de consultar aliados e integrantes do governo sobre o melhor caminho a seguir.
Discussões internas e negociações indiretas
Na última quarta-feira (18), os principais integrantes da equipe de segurança nacional se reuniram na Sala de Situação da Casa Branca para analisar o cenário iraniano. No mesmo dia, Trump recebeu informações atualizadas sobre os diálogos indiretos entre representantes dos dois países.
Os contatos indiretos entre representantes dos dois países aconteceram em Genebra e duraram cerca de três horas e meia. Apesar do diálogo prolongado, não houve anúncio de acordo conclusivo. O principal negociador iraniano declarou que ambas as partes concordaram com um “conjunto de princípios orientadores”. Já um integrante do governo norte-americano afirmou que “ainda há muitos detalhes a serem discutidos”.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o Irã deve apresentar mais informações sobre sua posição nas negociações “nas próximas semanas”. Questionada se o presidente aguardaria esse prazo antes de qualquer decisão militar, ela respondeu: “Não vou estabelecer prazos em nome do presidente dos Estados Unidos”.
Leavitt também declarou que “a diplomacia é sempre sua primeira opção”, mas reforçou que a alternativa militar permanece possível. Segundo ela, “há muitas razões e argumentos que poderiam ser apresentados a favor de um ataque contra o Irã”, acrescentando que Trump está ouvindo prioritariamente sua equipe de segurança nacional.
Aumento da presença militar na região
Enquanto as negociações seguem sem definição clara, o deslocamento de forças norte-americanas no Oriente Médio se intensificou. O porta-aviões USS Gerald Ford, considerado o mais avançado da frota dos Estados Unidos, pode chegar à região ainda neste fim de semana.
Além disso, aeronaves da Força Aérea baseadas no Reino Unido, incluindo caças e aviões-tanque para reabastecimento, estão sendo reposicionadas para áreas mais próximas do possível teatro de operações.
Do lado iraniano, imagens recentes de satélite analisadas pelo Institute for Science and International Security indicam que instalações ligadas ao programa nuclear estariam sendo reforçadas. A análise aponta o uso de concreto e grandes volumes de terra para proteger estruturas consideradas estratégicas, em meio ao aumento da pressão militar.
Fatores diplomáticos e impacto político
O momento de uma eventual ação também envolve elementos simbólicos e diplomáticos. O encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno está previsto para o domingo, e autoridades europeias avaliam que dificilmente haveria uma ofensiva antes dessa data.
Outro fator sensível é o início do Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos. Países aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio manifestaram preocupação com o impacto regional de uma ação durante esse período.
Trump também deve realizar, na próxima terça-feira, seu discurso anual ao Congresso. Auxiliares avaliam que a fala marcará o direcionamento político do novo ciclo legislativo. Ainda não está claro se esses eventos influenciam diretamente o cálculo do presidente.
Nas últimas semanas, Trump tem reiterado que não permitirá que o Irã desenvolva armas nucleares e já sinalizou interesse em mudanças no regime iraniano. No entanto, não detalhou quais seriam os objetivos estratégicos específicos de uma operação militar nem quais resultados espera alcançar.

