O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil deve fazer “qualquer sacrifício” para combater o crime organizado e prender os “magnatas da corrupção e do narcotráfico”.
A declaração aconteceu nesta terça-feira (24) em conversa com jornalistas em Seul, na Coreia do Sul. As informações são da Agência Brasil.
A fala de Lula se dá cerca de um mês antes da sua reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, na qual o combate ao crime organizado será um dos temas principais.
“O desejo nosso é colocar os magnatas da corrupção e do narcotráfico na cadeia, e para isso nós faremos qualquer sacrifício”, disse o presidente.
“Quando eu for aos Estados Unidos, eu vou levar junto comigo a Polícia Federal, a Receita Federal, o Ministério da Fazenda, o Ministério da Justiça e vou mostrar para ele [Trump] que se ele quiser, de verdade, combater o crime organizado, o narcotráfico, o tráfico de armas, o Brasil será parceiro de primeira hora, porque nós temos expertise nisso com a nossa Polícia Federal”, continuou.
No entanto, a pauta completa do que deve ser conversado com o republicano está em preparação, mas Lula já afirmou que deve mencionar temas de interesse do Brasil, como o multilateralismo e democracia. Ainda assim, a Trump também deve abordar outros temas.
CPI do Crime Organizado
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado Federal agendou para esta terça-feira (24) o depoimento do diretor-geral da Meta no Brasil, Conrado Leister.
A Meta é uma empresa americana responsável por plataformas como Facebook e Instagram, redes sociais utilizadas por milhões de brasileiros. O tema pode ser abordado na conversa entre Lula e Trump no próximo mês.
A CPI é um instrumento de investigação do Poder Legislativo. Senadores utilizam esse mecanismo para apurar fatos específicos e podem convocar autoridades, requisitar documentos e propor quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico.
O foco da oitiva será o uso das plataformas digitais para divulgação de golpes, venda de produtos proibidos e possível financiamento de organizações criminosas. As informações são da Agência Senado Notícias.
Lula na Ásia
Lula chegou na Ásia na última quarta-feira (18) e esteve na Índia e Coreia do Sul, onde foi recebido para uma visita de Estado. Na mesma entrevista para a imprensa, o presidente confirmou que as negociações de um acordo entre Coreia e Mercosul serão retomadas após um hiato de 5 anos.
“Eu lembrei a ele [Lee Jae-Myung, presidente da Coreia do Sul] que era muito importante, neste instante em que se discute a volta do unilateralismo, voltarmos a discutir esse acordo. Ele se mostrou muito interessado. Vamos montar as comissões para começar a debater e, se tudo der certo, podemos concluir esses acordos este ano”, explicou Lula. As informações ainda são da Agência Brasil.
Além disso, ele reforçou que a ampliação do acordo de comércio preferencial Mercosul-Índia também é prioridade para o Brasil, visando o livre comércio.
Nesta terça, Lula seguiu para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, para uma reunião com o presidente do país, Mohammed bin Zayed Al Nahyan. Apesar dos conflitos na região do Oriente Médio, o presidente brasileiro afirmou que não deve discutir a guerra do Irã, mas a relação comercial e política entre Brasil e Emirados Árabes.
“Eu acho que nós não estamos precisando de guerra, estamos precisando de paz, estamos precisando de investimento, desenvolvimento que é isso que vai fazer melhorar a vida do povo”, disse.
A comitiva presidencial volta para Brasília ainda hoje.

