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Política

Relatoria da PEC 6×1 acirra disputa e Motta prega cautela

No Palácio do Planalto, a prioridade é assumida publicamente

Relatoria da PEC 6×1 acirra disputa e Motta prega cautela

A confirmação do deputado Paulo Azi (União-BA) para a relatoria da PEC que acaba com a escala 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça marca o início formal de uma das discussões mais sensíveis do ano no Congresso. A confirmação do nome foi feita pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, que tratou de adotar um tom de prudência ao comentar o tema.

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Segundo Motta, trata-se de uma “medida que tem grandes impactos para o nosso país e deve ser conduzida com muita cautela, muito zelo”. O presidente também reconheceu o mérito da pauta, “a população pode sim reivindicar mais tempo com sua família, para o lazer”, mas alertou que a discussão precisa ocorrer com responsabilidade e deve escutar o governo e o setor empresarial. “É um tema meritório, mas precisa ser tratado da forma correta”, afirmou.

Sobre a PEC

A fala não é trivial. A PEC tem forte apelo eleitoral e, se aprovada, livraria milhões de trabalhadores de ter apenas uma folga semanal. Nos bastidores, tanto o presidente Lula quanto Motta são apontados como interessados em capitalizar politicamente o eventual fim da escala 6×1 nas eleições de outubro. O governo e a cúpula da Câmara têm pressa, mas sabem que o tema é explosivo.

O centrão também se movimenta. O grupo tenta dividir os louros de uma pauta popular entre os trabalhadores, ainda que a proposta tenha nascido nos setores mais à esquerda. A estratégia é clara, aprovar bandeiras de forte apelo social durante a campanha eleitoral pode render dividendos nas urnas.

Planalto

No Palácio do Planalto, a prioridade é assumida publicamente. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, tem reiterado que o fim da escala 6×1 é uma das principais metas do governo neste ano. A defesa da pauta ocorre desde o ano passado e integra o discurso de valorização do trabalhador adotado pelo Executivo.

Setor produtivo

Do outro lado, o setor produtivo reage de forma coordenada. A Confederação Nacional da Industria lidera a articulação de um manifesto conjunto e estima impacto próximo de R$ 180 bilhões para as empresas.

Entre as preocupações levantadas estão a escassez de mão de obra, a baixa produtividade histórica do país, a perda de competitividade internacional e o peso do déficit público. Há também um alerta específico sobre micro, pequenas e médias empresas, que concentram grande parte das contratações e teriam maior dificuldade para absorver ou repassar os custos adicionais.