A Polícia Federal (PF) deverá realizar o deslocamento do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para depor na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. A medida foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, novo relator do caso.
O empresário não está obrigado a participar, mas pode comparecer à oitiva marcada para o dia 10 de março (terça-feira), às 11h. O pedido foi protocolado pelo presidente da CAE, o senador Renan Calheiros (MDB-AL). As informações são g1.
A presença de Vorcaro na oitiva, no entanto, se faz necessária em meio às investigações do caso da fraude bilionária do Banco Master, que também está em análise pelo Congresso Nacional.
No documento assinado pelo ministro do STF, ele reforça que a comunicação urgente à Presidência da CAE, à PF e à defesa do banqueiro “para que sejam adotadas as providências necessárias ao eventual deslocamento do investigado ao Senado Federal”.
Vale lembrar que a presença de Vorcaro é facultativa devido a uma decisão anterior do relator Mendonça. Ainda assim, caso decida voluntariamente comparecer à oitiva, o deslocamento deverá ser feito em aeronave da Polícia Federal ou em voo comercial.
O dono do Master precisa estar acompanhado de um advogado.
O que aconteceu com o Banco Master? Relembre
O caso tomou forte repercussão após a tentativa de aquisição do Master pelo Banco de Brasília (BRB), uma estatal, a fim de cobrir uma possível falência do banco privado.
No entanto, a investigação do Banco Central (BC) em relação à fraude do Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro começou ainda no ano passado. As suspeitas levaram à prisão do presidente do banco em novembro.
Segundo o Uol, Vorcaro comprou a participação no banco em 2017, assumiu o controle em 2019 e mudou o nome da instituição para Master em 2021. Desde o início da nova gestão, o banco ficou conhecido no mercado por oferecer investimentos de alto retorno — e alto risco.
A carteira de Certificados de Depósito Bancários (CDBs) da instituição subiu de R$ 2,5 bilhões para R$ 40 bilhões em seis anos. No entanto, conforme mostrou O Brasilianista, o executivo afirmou que o modelo de negócio da empresa era 100% baseado no Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Funcionava assim: o Master oferecia CDBs com retornos muito acima do mercado, o banco utilizava os aportes em investimentos de alto risco e começou a perder sua liquidez de curto prazo. Caso acontecesse algum problema com a empresa, os clientes seriam ressarcidos pelo FGC em até R$ 250 mil.
Empresas como o banco BTG tentaram comprar o Master para evitar a falência, mas os negócios não seguiram. Em análise do BTG, foi concluído que mais de 80% do dinheiro do banco de Vorcaro estava alocado em investimentos de risco.
O BC ficou de olho após as negociações do Master com o Banco de Brasília (BRB), uma estatal que aportou R$ 16,8 bilhões em carteiras de crédito na instituição privada. O banco não pagou os investidores e revendeu os ativos do BRB em 2025, recebendo cerca de R$ 12 bilhões em retorno.
Em seguida, o BRB tentou comprar mais da metade do capital social do Master para evitar uma falência, no entanto a tentativa foi recusada pelo Banco Central.
Já em novembro, a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Compliance Zero, que investigava o Master por fraudes em investimentos. No mesmo dia, o Bacen realizou a liquidação extrajudicial da instituição financeira investigada.
Outras instituições financeiras ligadas ao grupo Master, como Reag e Will Bank, também foram liquidadas. É estimado que o rombo no FGC seja de quase R$ 50 bilhões, o que pode prejudicar toda a cadeia econômica dos próximos cinco anos.
As investigações, que estavam em um tribunal de primeira instância, passaram ao ministro do STF, Dias Toffoli, após um pedido de uma das pessoas envolvidas no caso. As apurações seguem em sigilo e sob a relatoria do magistrado, o que causa questionamentos sobre sua conduta.
Quem é Daniel Vorcaro?
Nascido em Belo Horizonte em 06 de outubro de 1983, Vorcaro construiu carreira nos setores financeiro e corporativo. Ele é formado em Economia e possui MBA em Business/Managerial Economics pelo Ibmec. Sua projeção ganhou força quando o Banco Master, sob seu controle, passou a firmar negócios relevantes com o governo do Distrito Federal por meio do BRB.
O empresário também é acionista da Sociedade Anônima do Futebol do Atlético-MG, com participação de 20,2% por meio do Galo Forte Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia (FIP). A origem desses recursos está sob análise devido à suspeita de vínculos com valores de procedência ilícita.

