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Justiça

A parceria WW: Weverton Rocha e Willer Tomaz

Willer nega envolvimento na Operação Sem Desconto

A parceria WW: Weverton Rocha e Willer Tomaz

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou a Polícia Federal (PF) a realizar buscas e apreensões em propriedades e a quebrar o sigilo de dados dos telefones de Willer Tomaz de Souza, da sociedade Aragão e Tomaz Advogados Associados e de familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA).

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A investigação busca esclarecer suspeitas de participação em atos de lavagem de dinheiro que podem ter favorecido o senador.

De acordo com a investigação da Operação Sem Desconto, que extraiu informações do celular do senador, a Polícia Federal busca identificar uma possível relação com o crime de corrupção passiva no âmbito do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O Brasilianista procurou o senador Weverton Rocha para obter um posicionamento sobre a defesa dos familiares citados, mas, até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

Operação Sem Desconto

Em 2025, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS buscou investigar desvios e descontos indevidos de aposentados e pensionistas. O caso seguiu em apuração pela Operação Sem Desconto após o relatório final, que pedia o indiciamento do senador, não ter sido aprovado.

Weverton Rocha foi apontado como suposto sócio oculto ou beneficiário de operações do Careca do INSS, Antônio Carlos Camilo Antunes.

O senador não é investigado nesta fase da operação. Contudo, no “arranjo investigativo”, a PF afirma que o parlamentar “atuava como o responsável por formular demandas, indicar beneficiários, cobrar pagamentos, acompanhar repasses, tratar de imóveis, orientar providências e interferir em decisões patrimoniais”.

Willer, o advogado, é interpretado como um “personagem de sustentação”, associado a empresas, imóveis, aeronaves, pilotos, funcionários, operadores financeiros e interlocutores políticos, atuando como um hub financeiro, logístico e patrimonial em benefício do senador.

Outro nome citado no documento é o de Fayla Zulmira Menezes, apontada como integrante da estrutura operacional de gestão financeira. Ela aparece nos contatos de Weverton como “Financeiro WT Fayla Zulmira”. Segundo a investigação, era responsável por controlar recursos, realizar pagamentos, encaminhar comprovantes e, inclusive, consultar Willer Tomaz rotineiramente.

Familiares de Weverton

Sobre o papel da família de Weverton Rocha na administração de bens e recursos, a PF afirma que a empresa Rocha Holding Patrimonial Ltda., ligada a Samya Lorene de Oliveira Bernardes Rocha, esposa do senador, bem como a filha Anna Catarina e as duas irmãs, Geyse Rocha Limares e Shainess Kellmassen Rocha, são apontadas como organizadoras e operadoras de transferências, supostamente destinadas a receber e redistribuir recursos.

“[…] a autoridade policial aponta que, a partir de fevereiro de 2024, a movimentação financeira entre os núcleos da suposta lavagem passou a circular, de forma mais visível, por contas relacionadas às empresas Jota Comunicação S.A, Rocha Holding Patrimonial Ltda e DJ Agropecuária Comércio e Prestação de Serviços Ltda.”

A Jota Comunicação aparece como uma empresa “situada entre o núcleo familiar” de Weverton e pessoas ligadas a Willer Tomaz, “na medida em que possuiria vínculos societários e administrativos” com o senador. A empresa da esposa é retratada como instrumento para movimentar valores de interesse de Weverton, enquanto a DJ Agropecuária Comércio e Prestação de Serviços Ltda. seria destinatária frequente de repasses expressivos.

Em setembro, Weverton teria cobrado um repasse de R$ 500 mil. Fayla verificou com Willer Tomaz que a transferência entre empresas seria mais rápida. Em seguida, informou ao senador que o dinheiro havia sido transferido para a conta “PF da Dra. Samya”. Além disso, registros apontam que Samya teria recebido mais de R$ 11 milhões de empresas ligadas a Willer Tomaz no período analisado.

Lavagem de dinheiro

A PF também apresentou um eixo da investigação envolvendo empresas do comércio varejista de combustíveis: Petro São Francisco Combustíveis e Petro São José Ltda.

“[…] suas contas teriam sido utilizadas para aquisição de propriedades rurais, pagamento de terrenos e maquinário agrícola, bem como para realização de repasses à DJ Agropecuária e à Rocha Holding”, que, por sua vez, repassariam valores a terceiros conforme indicação de Weverton e também disponibilizariam recursos ao próprio parlamentar.

Anna Rocha aparece como responsável pelo acompanhamento das transferências, dos pagamentos e pelo encaminhamento de comprovantes por meio das contas dos postos de gasolina.

Ela teria encaminhado contratos de mútuo após grandes transferências: R$ 5 milhões da Petro São Francisco para a DJ Agropecuária e R$ 2 milhões para a Rocha Holding.

O outro lado

O Brasilianista também procurou a defesa do advogado Willer Tomaz, que foi alvo da decisão do STF. Em nota, a defesa afirmou que a busca e apreensão ocorreu porque ele é “proprietário, exclusivamente, da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha em viagem já de conhecimento público”.

“Willer Tomaz não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal”, informou a defesa.

O advogado afirmou que aguarda a apuração dos fatos, sustentando que a conduta não possui qualquer relação com o objeto da operação. Também reforçou que a disponibilização da aeronave teve caráter pessoal e amistoso, sem qualquer relação com os fatos investigados.

Quem é Willer Tomaz

O advogado Willer Tomaz já foi preso no âmbito da Operação Lava Jato após ter sido acusado de envolvimento em esquemas de propina.

Em 2017, o empresário Joesley Batista o denunciou em uma delação premiada por cooptar Ângelo Goulart, então procurador do Ministério Público Federal (MPF), para atuar como infiltrado na Operação Greenfield em troca de suborno pago pela JBS.

Tomaz chegou a ser preso, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu revogar a prisão preventiva de ambos após entender que não havia mais motivos para mantê-los detidos, uma vez que outros investigados já estavam em liberdade.

Amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Tomaz não esconde o trânsito livre e a interlocução privilegiada que cultiva com ministros dos tribunais superiores, especialmente no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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