O Salão Negro do Congresso Nacional vai sediar a partir desta terça-feira (03), às 15h, a exposição “Eles nos deram esperança de novo – gravidez e nascimento no subcampo Kaufering 1 Dachau”. A mostra vai detalhar a trajetória de sete mulheres húngaras que, contra todas as probabilidades, deram à luz e conseguiram manter seus filhos vivos dentro do sistema de campos de concentração nazista em 1944.
Segundo a Agência Senado, o evento de inauguração será conduzido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e deve contar com a presença de George Legmann que está no Brasil desde a década de 60. Legmann é um dos sete bebês que desafiaram a lógica do extermínio em Dachau e o idealizador desta exibição inédita produzida pelo governo da Alemanha.
O milagre de Kaufering
Enquanto o regime nazista dizimava cerca de 1,5 milhão de crianças, um desvio no protocolo de morte ocorreu no subcampo de Kaufering, nos arredores de Dachau. Ao identificar a gravidez do grupo de prisioneiras, um médico buscou orientações em Auschwitz.
Com o avanço iminente das tropas soviéticas e a desordem no comando alemão no crepúsculo da guerra, as mulheres foram poupadas.
“Ele permitiu que essas sete mulheres sobrevivessem. É um episódio sem paralelos na história do Holocausto”, relata Legmann.
O sobrevivente detalha que o médico forneceu condições mínimas para os partos e entregou latas de leite condensado às mães nos dias finais do conflito. O gesto de humanidade ou estratégia de preservação pessoal foi documentado em uma carta escrita pela mãe de Legmann, peça fundamental que garantiu que o médico não fosse executado após a guerra.
Memória e itinerância
A narrativa desse “caso único” é apresentada por meio de 37 painéis que reúnem:
- Documentação histórica e registros oficiais
- Relatos detalhados sobre os nascimentos
- Conteúdo bilíngue (português e inglês)
Para George Legmann, a importância da mostra transcende a comunidade judaica. Ele recorda que o totalitarismo vitimou também cristãos, ciganos, negros e diversas minorias. Atualmente, os sobreviventes deste grupo estão espalhados pelo globo: além de Legmann no Brasil, há representantes no Canadá, Estados Unidos, Israel, Hungria e Eslováquia.
Após o período no Senado, a exposição percorrerá outras cidades brasileiras com o suporte da Confederação Israelita do Brasil (Conib). O foco principal da itinerância será o público escolar, visando educar as novas gerações sobre os perigos do extremismo.
Neonazismo no Brasil
A exposição é uma ideia também de debate sobre um regime que até hoje perdura sobre alguns grupos. No Brasil, por exemplo, em outubro de 2025, o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) realizou a Operação Nuremberg em quatro estados: Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Sergipe, para desarticular um dos grupos neonazistas mais violentos do Brasil.
As informações do O Brasilianista contam que foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão em cidades como São Paulo, Campinas, Curitiba e Aracaju, resultando na apreensão de materiais de apologia ao nazismo, armas brancas, facas e soco inglês.
O grupo investigado, composto por “skinheads neonazistas”, promovia discurso de ódio, antissemitismo e supremacia ariana, recrutando membros em encontros presenciais e disseminando conteúdo extremista na internet.
A operação, apoiada por diferentes unidades do Ministério Público e da Polícia Civil, tem o nome “Nuremberg” em referência aos julgamentos pós-Segunda Guerra Mundial, simbolizando o enfrentamento a grupos extremistas que ameaçam a ordem pública e o Estado Democrático de Direito. As investigações ainda continuam.
SERVIÇO
Abertura da exposição: “Eles nos deram esperança de novo – gravidez e nascimento no subcampo Kaugering 1 Dachau”
Data: 03/03/2026
Horário: 15h
Onde: Salão Negro do Congresso Nacional
Visitação: 03 a 30 de março
Entrevista: George Legmann estará disponível para entrevista na segunda-feira (02)

