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Geopolítica

Tudo o que sabemos sobre a candidata às eleições gerada por IA na Colômbia

Avatar criada por inteligência artificial disputa vaga no Congresso colombiano e reacende discussões sobre regulação e riscos tecnológicos

Tudo o que sabemos sobre a candidata às eleições gerada por IA na Colômbia

A Colômbia pode eleger, nas eleições legislativas de 8 de março, a primeira parlamentar criada por inteligência artificial da América Latina.

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A avatar chamada Gaitana IA concorre a uma vaga reservada a povos indígenas e propõe que decisões legislativas sejam tomadas com base em consultas digitais feitas à comunidade por meio de uma plataforma tecnológica.

A experiência chama atenção não apenas pelo caráter político, mas também pelos possíveis efeitos sobre confiança institucional, ambiente regulatório e inovação digital, fatores que influenciam negócios e investimentos. As informações são do G1.

Como funcionaria um mandato controlado por IA?

A candidatura de Gaitana IA não ocorre de forma tradicional. Como a legislação colombiana não permite que uma inteligência artificial seja registrada oficialmente, representantes humanos assumem a candidatura formal e atuariam como porta-vozes caso a proposta seja eleita.

A ideia central é que eleitores registrados utilizem um chatbot para discutir propostas e votar posições políticas.

A plataforma simplificaria projetos de lei, traduzindo termos técnicos para linguagem acessível, permitindo que usuários decidam se o representante humano deve apoiar ou rejeitar determinada pauta no Congresso.

Na prática, o modelo busca ampliar participação popular, principalmente entre grupos que historicamente têm menor presença institucional.

Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que a tecnologia pode aproximar cidadãos do processo legislativo, mas alertam para riscos relacionados a falhas de interpretação, vieses algorítmicos e dilemas éticos.

Promessa de democracia digital

Segundo o InfoMoney, Gaitana IA se apresenta como uma “plataforma comunitária”, defendendo causas ambientalistas e direitos dos animais. A proposta inclui votações públicas e registradas digitalmente para definir decisões políticas.

A candidata afirma que qualquer cidadão poderia sugerir projetos de lei. A inteligência artificial estruturaria o texto, compartilharia com a comunidade e, havendo consenso, a proposta seguiria para apresentação formal no Congresso.

A frase usada pela própria avatar resume a proposta: “Cada cidadão se transforma em um congressista”.

“Você explica (a proposta) à Inteligência Artificial. Ela estrutura e compartilha com a comunidade. Se houver consenso, o projeto será formalmente apresentado ao Congresso. Simples e direto“, afirma a candidata.

Esse modelo de participação pode influenciar o ambiente econômico ao criar maior pressão social sobre pautas regulatórias.

Empresas que atuam em setores sujeitos a debate público, como energia, mineração, agronegócio e tecnologia, poderiam enfrentar decisões mais sensíveis ao humor da comunidade digital.

Para microempreendedores, o efeito seria indireto. Mudanças mais rápidas em regras ambientais ou trabalhistas, por exemplo, tendem a alterar custos operacionais e exigências legais, impactando pequenos negócios com menor capacidade de adaptação.

Experimento político

Reportagem do The Chosun Daily destaca que o experimento colombiano ocorre em um contexto de transformação global impulsionada pela inteligência artificial.

A avatar utiliza análise de dados e algoritmos para converter opiniões públicas em propostas políticas, registrando o processo em blockchain para permitir auditoria.

Se eleita, todas as decisões legislativas seguiriam o consenso identificado pela plataforma. Atualmente, o sistema opera em três pequenos servidores e ainda precisa de atualizações para ampliar segurança de dados e capacidade de processamento.

Especialistas citados apontam que o modelo pode representar uma nova forma de democracia digital, mas há preocupações sobre concentração de poder em grupos que controlam o algoritmo.

A ausência de consenso social sobre transparência tecnológica e responsabilidade legal em caso de falhas também é vista como risco.

Países que adotem modelos políticos baseados em algoritmos podem exigir novas regras de compliance e auditoria tecnológica, alterando o ambiente regulatório para companhias de tecnologia, fintechs e plataformas digitais.

Origem indígena e estratégia política por trás da avatar

De acordo com o jornal El Colombiano, o projeto nasceu dentro da comunidade indígena Zenú e foi inspirado em modelos participativos europeus combinados com práticas tradicionais de deliberação coletiva.

A proposta é substituir decisões individuais de parlamentares por consultas permanentes à comunidade. Durante meses, o grupo coletou assinaturas e estruturou o que chama de “cadeira híbrida”: representantes humanos ocupariam o cargo, mas não poderiam votar sem consulta prévia à plataforma.

Mais de 10 mil pessoas já estariam cadastradas no sistema, que utiliza blockchain para registrar decisões e garantir rastreabilidade. A promessa dos idealizadores é reduzir opacidade política e permitir fiscalização pública constante.

Além da inovação tecnológica, o projeto levanta pautas econômicas específicas, como o combate à biopirataria, prática que, segundo os criadores, gera perdas financeiras relevantes ao país ao transformar conhecimentos tradicionais em produtos patenteados no exterior.

Isso seria possível no Brasil?

Especialistas ouvidos pelo G1, afirmam que um modelo semelhante enfrentaria obstáculos no Brasil. A legislação eleitoral atual proíbe o uso de robôs para intermediar contato com eleitores, e o Tribunal Superior Eleitoral ainda não sinalizou abertura para candidaturas baseadas em inteligência artificial.

Na prática, isso reduz a probabilidade de experiências semelhantes nas eleições brasileiras no curto prazo.

Para o mercado, essa limitação mantém o modelo tradicional de representação política, considerado mais previsível do ponto de vista regulatório.

Ainda assim, o avanço de ferramentas digitais de participação pode influenciar campanhas e processos de consulta pública no futuro.

O que acontece se a IA for eleita?

Caso Gaitana IA conquiste uma cadeira, os representantes humanos eleitos assumiriam funções presenciais no Congresso, enquanto a plataforma definiria posições de voto com base na decisão da maioria dos usuários cadastrados.

Esse formato poderia inaugurar um novo modelo de interação entre cidadãos e Parlamento, com participação contínua e decisões mais rápidas.

Para o ambiente econômico, a principal consequência seria o teste de um novo tipo de governança política baseada em tecnologia.

Empresários e microempreendedores também tendem a observar como decisões coletivas digitais impactariam regras de negócio.

Processos legislativos mais dinâmicos podem acelerar mudanças regulatórias, exigindo adaptação constante.

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