O Brasil registrou 35 pontos no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) 2025. O país se mantém abaixo da média global de 42 pontos e figura entre os países com problemas significativos no enfrentamento à corrupção no setor público.
Divulgado em fevereiro pelo Portal da Transparência Internacional, o levantamento avaliou 182 países e territórios, com notas que variam de 0 (altamente corrupto) a 100 (altamente íntegro).
A corrupção continua sendo um desafio estrutural na maior parte do mundo, mais de dois terços dos países analisados tiveram menos de 50 pontos. A média global caiu pela primeira vez em mais de uma década. O cenário, segundo o estudo é de enfraquecimento institucional, erosão de mecanismos de controle e restrições ao espaço cívico em diversas regiões.
O cenário do Brasil
No cenário global descrito pelo IPC 2025, o Brasil permanece abaixo da média mundial e distante dos países considerados altamente íntegros, refletindo desafios persistentes no fortalecimento institucional e na consolidação de mecanismos eficazes de prevenção e combate à corrupção no setor público.
No Brasil, os 35 pontos colocam o país num grupo intermediário inferior do ranking, ao lado de nações que enfrentam dificuldades no fortalecimento de instituições de justiça, na transparência do financiamento político e na garantia de fiscalização independente dos gastos públicos. O país está abaixo da Ucrânia e acima do Sri Lanka.
A pontuação também coloca o país abaixo de democracias consolidadas e distante dos países com melhores desempenhos, integrando o grupo de países que ainda não conseguiram avançar de forma consistente no controle da corrupção percebida no setor público.
A América do Sul
No panorama regional apresentado no relatório, as Américas tiveram média de 42 pontos, o que significa que o Brasil também ficou abaixo da média do próprio continente. No índice, a Venezuela é o país com o pior índice de corrupção. O Uruguai tem a maior pontuação.
- Uruguai com 73 pontos
- Chile com 63 pontos
- Guiana com 40 pontos
- Suriname com 38 pontos
- Colômbia com 37 pontos
- Argentina com 36 pontos
- Brasil com 35 pontos
- Equador com 33 pontos
- Peru com 30 pontos
- Bolívia com 28 pontos
- Paraguai com 24 pontos
- Venezuela com 10 pontos
Regiões democráticas
O relatório aponta que democracias plenas alcançaram média de 71 pontos, enquanto democracias classificadas como deficitárias ficaram com 47 pontos, e regimes não democráticos, 32. O documento destaca que sistemas com instituições independentes, eleições livres e espaço cívico protegido tendem a apresentar maior controle da corrupção.
Entre os países com melhor desempenho em 2025, a liderança permaneceu com a Dinamarca, que alcançou 89 pontos. Também figuram entre os mais bem avaliados:
- Finlândia com 88 pontos
- Singapura com 84
- Nova Zelândia com 81 pontos
- Noruega com 81 pontos
- Suécia com 80 pontos
- Suíça com 80 pontos
- Luxemburgo com 78 pontos
- Holanda com 78 pontos
- Alemanha com 77 pontos
Esses países concentram instituições robustas, fiscalização efetiva e altos níveis de transparência. Na outra ponta do ranking, os piores resultados ficam entre os países:
- Somália com 9 pontos
- Sudão do Sul com 9
- Venezuela com 10
- Iêmen com 13 pontos
- Líbia com 13 pontos
- Eritreia com 13 pontos
- Sudão com 14 pontos
- Nicarágua com 14 pontos
- Coreia do Norte com 15 pontos
- Síria com 15 pontos
O relatório associa as notas mais baixas a contextos de repressão, conflitos armados e enfraquecimento extremo do Estado de Direito.
O documento também evidencia que fluxos financeiros ilícitos, lavagem de dinheiro e ocultação de recursos desviados impactam tanto países com pontuações baixas quanto centros financeiros localizados em países bem avaliados no índice.
O que diz o estudo?
A organização defende maior cooperação internacional para bloquear práticas de corrupção transnacional e reforçar mecanismos de responsabilização. Ao analisar tendências desde 2012, o Portal da Transparência aponta que 50 países pioraram suas pontuações, 31 melhoraram e 100 permaneceram estagnados.
A deterioração está frequentemente associada à restrição de liberdades civis, politização do sistema de justiça e enfraquecimento de instituições de controle.

