Publicidade
Economia

Por que guerra no Oriente Médio aumenta procura por ativos como ouro?

A escalada entre EUA, Israel e Irã aumenta a procura por ativos defensivos diante da instabilidade política, inflação e volatilidade financeira

Por que guerra no Oriente Médio aumenta procura por ativos como ouro?

A escalada provocada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã vem provocando mudanças significativas na mentalidade dos investidores globais, que agora direcionam seus recursos para ativos reconhecidos historicamente pela capacidade de proteger o patrimônio. Em períodos de confronto militar ou diante da ameaça de intensificação bélica, cresce a preocupação com interrupções no comércio internacional, pressões sobre índices de preços e volatilidade cambial.

Publicidade

Nessa conjuntura, o ouro retoma seu papel central como instrumento de refúgio seguro. Segundo informações do Trading View, a tensão geopolítica gera uma migração expressiva de capital para ativos defensivos, enquanto mercados de ações e criptomoedas experimentam picos de instabilidade.

O que mudou em quatro dias de conflitos?

O Irã intensificou significativamente suas exportações de petróleo bruto, com embarques da Ilha de Kharg somando 20,1 milhões de barris entre 15 de fevereiro e a última sexta-feira (27). Isso é o triplo do volume registrado em janeiro de 2026. Essa movimentação é interpretada como uma estratégia de precaução frente a sanções ou possível escalada do conflito com os EUA.

Especialistas da Bitunix, em nota ao Cointelegraph, projetam que um eventual confronto direto entre Washington e Teerã poderia impulsionar o preço do ouro em cerca de 15% em apenas duas semanas, com valores por onça oscilando entre US$ 5.500 e US$ 5.800. Esse movimento reflete a busca intensa por ativos que ofereçam segurança diante da incerteza.

A Índia como exemplo

Dados da The Kobeissi Letter mostram que investidores indianos, segundo maior consumidor global de ouro, ampliaram significativamente seus aportes em ETFs (Exchange Traded Funds ou Fundos de Índice Negociados em Bolsa) lastreados no metal. Os fluxos atingiram 250 bilhões de rúpias (US$ 2,7 bilhões), estabelecendo recorde histórico e superando, pela primeira vez, as aplicações em fundos mútuos de ações.

Desde julho, a demanda por esses ETFs de ouro cresceu mais de 900%, enquanto os fundos de ações registraram saídas próximas de US$ 1,9 bilhão. Essa alteração na alocação de capital indica uma mudança estrutural na estratégia de proteção patrimonial dos investidores indianos. Recentemente, o ouro acumulou valorização semanal de 4,4%, mantendo sua força mesmo diante de oscilações diárias.

Dados da Glassnode mostram que o Bitcoin continua lateralizado entre US$ 60.000 e US$ 70.000, com acumulação tímida por parte das “baleias” e retiradas persistentes de ETFs. Cerca de 9,2 milhões de BTC estariam em prejuízo, e a métrica de lucro/prejuízo realizado em 90 dias caiu abaixo de 1, indicando maior volume de vendas com perdas do que de lucros.

No plano nacional e internacional, a Times Brasil relatou que o “modo defensivo” passou a dominar as estratégias de operação. O dólar comercial encerrou uma sessão recente com valorização de 0,62%, negociado a R$ 5,165. Na Comex, o contrato mais líquido do ouro avançou 1,21%, a US$ 5.311,6 por onça-troy, enquanto o Bitcoin foi negociado próximo de US$ 69.024 ao final do pregão.

Por que o ouro se valoriza na guerra?

Em crises geopolíticas, a reação natural dos investidores é reduzir exposição a ativos arriscados e alocar recursos em instrumentos com histórico comprovado de preservação de valor. O ouro se diferencia por não depender da política econômica de um único país, possuir liquidez internacional e tradição secular na manutenção do poder de compra durante crises sistêmicas.

O aumento da percepção de risco eleva o chamado “prêmio de segurança” do metal. Embora o dólar também atraia fluxos defensivos, seu desempenho depende da política de juros nos EUA e da situação fiscal americana, sendo o menos previsível que o ouro em cenários de conflito. O Bitcoin, por sua vez, ainda se comporta como ativo de alto risco.

Apesar de ser considerado reserva alternativa por parte do mercado, sua alta volatilidade e histórico mais curto limitam sua consistência em proteger o capital frente a choques bélicos. Com base nas análises:

  • Ouro: é o ativo mais confiável em períodos de guerra ou risco de escalada militar
  • Dólar: uma ferramenta de diversificação cambial, essencial para quem possui exposição a moedas emergentes
  • Bitcoin: pode integrar a carteira de forma complementar, mas apresenta maior risco de desvalorização em momentos de incerteza acentuada

Assim, a elevação da procura por ouro durante a crise no Oriente Médio evidencia a necessidade de blindagem contra instabilidade política, pressões inflacionárias e turbulência financeira. A prioridade do investidor deixa de ser a maximização de retorno e é a preservação do patrimônio.

Saiba mais acessando nossas redes sociais