Publicidade
Política

Briefing: guerra no Oriente Médio, juros no Brasil e tensão política em Brasília

Escalada militar pressiona petróleo, influencia decisões do Banco Central e amplia ruídos institucionais no Congresso

Briefing: guerra no Oriente Médio, juros no Brasil e tensão política em Brasília

A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã entrou em nova fase nesta terça-feira (03), com avanço de tropas israelenses sobre o sul do Líbano e bombardeios em Beirute, ampliando o conflito regional.

Publicidade

A ofensiva busca criar uma “zona-tampão” contra o Hezbollah, segundo o governo israelense, em meio à escalada iniciada após ataques ao Irã. As informações são de O Globo.

Israel amplia ofensiva no Líbano

De acordo com o jornal, as Forças de Defesa de Israel avançaram por terra além da fronteira libanesa e intensificaram bombardeios contra o Hezbollah.

O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que a tomada de posições estratégicas visa impedir ataques contra cidades israelenses.

Fontes militares libanesas relataram recuo do Exército do Líbano em áreas próximas à zona de operação. O governo libanês, por sua vez, condenou ataques do Hezbollah contra Israel e reforçou que decisões militares cabem ao Estado.

O balanço inicial aponta ao menos 52 mortos no Líbano e 30 mil deslocados abrigados em centros coletivos, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Estreito de Ormuz é fechado

Segundo a Folha de São Paulo, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e ameaçou incendiar embarcações que tentarem cruzar a área.

Cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo passam pelo estreito. Sites de monitoramento marítimo indicaram mais de 350 navios ancorados na região.

Imagens de satélite mostram o porto iraniano de Bandar Abbas em chamas após ataques. Os Estados Unidos afirmam ter atingido instalações militares iranianas na área.

Conflito se espalha e Trump fala em “grande onda”

Conforme informou o Valor Econômico, o conflito passou a envolver países do Golfo após ataques iranianos a bases americanas na região. O Hezbollah abriu nova frente contra Israel a partir do Líbano.

O presidente Donald Trump declarou que uma “grande onda” ainda está por vir e afirmou que os Estados Unidos podem prolongar as operações por mais tempo do que as quatro a cinco semanas inicialmente projetadas.

Especialistas ouvidos pelo jornal classificam as primeiras 48 horas como uma escalada significativa.

Irã descarta negociação com os Estados Unidos

Como apurado pela CNN Brasil, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, afirmou que o país “não negociará com os Estados Unidos”, negando relatos de que Teerã buscaria retomar conversas por meio de intermediários.

Em publicação nas redes sociais, Larijani criticou o presidente americano Donald Trump e declarou que as forças iranianas “não iniciaram a invasão”.

Petróleo dispara e pressiona inflação

O petróleo Brent chegou a subir 13%, ultrapassando US$ 82 por barril, maior valor desde janeiro de 2025. Depois, perdeu parte da força, mas manteve alta.

Economistas ouvidos pelo jornal O Globo, apontam risco de valorização do dólar, do ouro e de ativos considerados seguros.

A Bloomberg Economics estima que, se o Estreito de Ormuz permanecer fechado, o barril pode atingir US$ 108.

Guerra deve ter impacto restrito no Brasil

Especialistas ouvidos no evento “Rumos 2026”, promovido pelo Valor, avaliaram que o conflito no Oriente Médio aumenta a cautela de investidores e do Banco Central, mas não deve alterar de forma significativa o ambiente internacional favorável às economias emergentes.

O secretário do Tesouro, Rogério Ceron, afirmou que, se o petróleo oscilar entre US$ 75 e US$ 85, o cenário não seria “catastrófico” para o Brasil.

O debate destacou que 2026 é visto como ano de transição, com maior foco no ajuste fiscal a partir de 2027.

A manutenção da credibilidade das contas públicas foi apontada como fator central para reduzir juros e sustentar crescimento.

Também entrou na pauta a segurança pública, com a Polícia Federal informando que apresentou plano ao TSE para prevenir infiltração do crime organizado nas eleições.

Guerra coloca cortes de juros em dúvida

A piora do cenário externo lança dúvidas sobre o início do ciclo de cortes da Selic, atualmente em 15% ao ano.

O mercado ainda projeta redução para 14,5% na reunião de março do Copom, mas parte dos economistas já questiona o ritmo das próximas decisões.

Segundo estimativas citadas pelo jornal O Globo, uma alta de 10% no petróleo pode acrescentar até 0,5 ponto percentual à inflação acumulada em 12 meses.

Se a inflação ganhar força, o Banco Central pode reduzir juros de forma mais lenta, mantendo crédito mais caro por mais tempo.

Exportações brasileiras sob risco

A Folha de S.Paulo informou que a guerra pode afetar diretamente as exportações de frango e milho do Brasil.

O Oriente Médio comprou US$ 3 bilhões em carne de frango brasileira no ano passado, o equivalente a 34,8% do total exportado. No caso do milho, o percentual chega a 32,4%.

Além disso, fertilizantes importados da região representam 14,4% das compras externas do insumo. Se o conflito se prolongar, fretes e seguros podem subir, encarecendo operações comerciais.

Governo minimiza impacto imediato

Segundo a Folha de S.Paulo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que as turbulências não devem impactar significativamente a economia brasileira neste momento.

Segundo ele, o Brasil tem superávit no comércio de petróleo e continua atraindo investimentos. Ainda assim, declarou que o governo acompanhará a situação com cautela.

Congresso acelera crédito para exportações

A Câmara aprovou projeto que amplia o crédito para exportação e fortalece o Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior (FGCE).

A proposta permite novas fontes de recursos e amplia o suporte estatal às exportações, inclusive em acordos como Mercosul-União Europeia.

De acordo com a Folha, na prática, a medida busca fortalecer empresas brasileiras diante de instabilidade internacional.

BRB prevê provisão bilionária após fraude

Como informado pela Folha de S.Paulo, o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson de Souza, afirmou que a instituição deverá reservar cerca de R$ 8 bilhões para cobrir perdas relacionadas à compra de carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master.

A medida foi discutida em reunião com deputados distritais e integra projeto de lei para reforçar o capital do banco.

O plano prevê alternativas como fundo imobiliário com imóveis do governo do DF, empréstimos junto ao Fundo Garantidor de Créditos e venda de subsidiárias. A proposta de aumento de capital pode chegar a R$ 8,86 bilhões, condicionada à aprovação legislativa.

Consultoria recomenda rejeição de socorro ao BRB

O Globo destacou que a Consultoria Legislativa da Câmara do Distrito Federal recomendou a rejeição da redação atual do projeto que autoriza medidas de capitalização do BRB.

Técnicos apontaram lacunas de transparência e ausência de documentos como estimativa de impacto fiscal e laudos de avaliação dos imóveis oferecidos.

O parecer alerta para possível violação da Lei de Responsabilidade Fiscal caso a operação seja caracterizada como socorro financeiro do controlador à estatal.

Tensão política envolve caso Lulinha

A revelação de que Fábio Luís Lula da Silva teria tido despesas de viagem pagas por empresário investigado movimentou a CPMI do INSS.

Parlamentares de oposição defenderam a quebra de sigilo do filho do presidente. A defesa afirma que ele não tem ligação com o esquema investigado.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, avalia se mantém ou anula a votação que aprovou o requerimento, segundo O Globo. O episódio ocorre em meio a ambiente de desgaste entre Congresso e Executivo.

STF desobriga Campos Neto de depor em CPI

A Folha de S.Paulo divulgou que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, desobrigou o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto de comparecer à CPI do Crime Organizado.

Ele poderia ser questionado sobre supostas falhas na fiscalização relacionadas ao caso Banco Master. Mendonça argumentou que não há indícios de envolvimento direto do economista e que o tema extrapola o escopo da comissão.

Caso compareça, Campos Neto poderá permanecer em silêncio em pontos que impliquem risco de autoincriminação.

TSE endurece regras sobre IA nas eleições

Como divulgado pela Folha de S.Paulo, o Tribunal Superior Eleitoral proibiu a divulgação de conteúdos eleitorais gerados por inteligência artificial nas 72 horas antes e 24 horas após cada turno de votação.

Materiais manipulados deverão indicar que foram produzidos por IA. A medida busca reduzir interferências no período mais sensível da campanha.

O cenário combina guerra externa, incerteza sobre juros e ruídos institucionais em Brasília. A combinação desses fatores molda as expectativas para 2026, tanto na economia quanto na política.

MDB se divide sobre aliança com Lula

De acordo com a Folha de S.Paulo, mais da metade dos diretórios estaduais do MDB assinou manifesto defendendo neutralidade do partido nas eleições presidenciais.

O documento será entregue ao presidente nacional da legenda, Baleia Rossi, como contraponto à ala que negocia eventual aliança com o PT.

O movimento ocorre enquanto petistas discutem oferecer a vaga de vice na chapa de Lula ao MDB. A divisão interna reforça a fragmentação do centro político e mantém indefinição sobre alianças nacionais.

Alta do petróleo preocupa campanha de Lula

Segundo o Valor Econômico, a escalada da guerra elevou o alerta na pré-campanha de Lula devido ao impacto potencial sobre combustíveis e inflação.

Integrantes do PT temem que eventual reajuste de gasolina e diesel prejudique a popularidade do presidente, especialmente se afetar o início previsto do ciclo de cortes da Selic.

A Petrobras informou que não há risco imediato de interrupção de importações ou exportações, mas o setor acompanha o cenário com cautela.

Ato na Paulista mostra preferência por Flávio

Levantamento do Monitor do Debate Político apontou que 74% dos manifestantes em ato na Avenida Paulista preferem Flávio Bolsonaro como candidato da direita à Presidência. O percentual contrasta com pesquisas anteriores que indicavam Tarcísio de Freitas como favorito.

O evento reuniu cerca de 20,4 mil pessoas, segundo estimativa baseada em análise de imagens aéreas. Flávio discursou com críticas ao governo e defendeu impeachment de ministros do STF.

Moraes nega prisão domiciliar a Bolsonaro

Segundo a Folha, o ministro Alexandre de Moraes negou novo pedido de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Para o magistrado, a unidade prisional dispõe de estrutura médica adequada e o ex-presidente mantém intensa atividade política na prisão.

A decisão mantém Bolsonaro na Papudinha e reforça que eventuais questões de saúde podem ser tratadas no local.

PF apura uso de emendas por ex-senador

A Agência InfoMoney destacou que a Polícia Federal investiga se o ex-senador Fernando Bezerra Coelho e o deputado Fernando Coelho Filho utilizaram empresas ligadas a familiares para receber recursos oriundos de emendas parlamentares.

Mandados de busca foram autorizados pelo ministro Flávio Dino. A defesa afirma que os recursos foram destinados com lisura e que não houve irregularidade.

Parentes de ministros ampliam atuação no STF

Levantamento do Estadão aponta que 70% dos processos com participação de parentes de ministros do STF e do STJ foram protocolados após a posse dos magistrados na Corte.

Foram identificados 1.860 processos com atuação de familiares de oito ministros. O Supremo informou que seus integrantes cumprem normas legais de impedimento e suspeição.

Juristas ouvidos defendem maior transparência e salvaguardas éticas para preservar a percepção de imparcialidade.

Siga O Brasilianista!