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Geopolítica

O que falta para o acordo Mercosul-Canadá sair do papel?

Tratado prevê redução de tarifas, abertura para serviços e novas regras para investimentos entre os dois blocos

O que falta para o acordo Mercosul-Canadá sair do papel?

O acordo de livre comércio entre Mercosul e Canadá entrou na fase final de negociação, mas ainda enfrenta impasses considerados sensíveis pelas duas partes.

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A avaliação é do governo brasileiro, que trabalha com a expectativa de concluir as tratativas nos próximos seis meses.

Entre os principais pontos pendentes estão as discussões sobre o acesso ao mercado de carnes, tema que continua no centro das negociações comerciais entre os blocos.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que o texto está próximo de um desfecho. Apesar do avanço, negociadores ainda discutem mecanismos para destravar pontos considerados estratégicos para produtores e exportadores.

Caso seja concluído, o tratado criará uma nova área de livre comércio entre os países do Mercosul e o Canadá, ampliando o acesso a um dos principais mercados desenvolvidos da América do Norte.

O acordo também surge em um momento de reconfiguração das relações comerciais globais e poucos meses após o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia.

O que prevê o acordo

As negociações avançaram após uma nova rodada realizada entre representantes do Mercosul e do governo canadense. Segundo os ministérios envolvidos nas tratativas, cinco capítulos já passaram para a fase de conclusão.

As discussões abrangem temas como comércio de bens, serviços, serviços financeiros, regras de origem, propriedade intelectual, entrada temporária de profissionais, desenvolvimento sustentável, salvaguardas comerciais e marcos legais para investimentos.

O mesmo levantamento aponta que cerca de 60% do acordo já está acertado. Autoridades dos dois lados trabalham com a expectativa de concluir as negociações ainda em 2026, enquanto novas rodadas técnicas continuam ocorrendo para fechar os capítulos restantes.

Os números ajudam a explicar o interesse econômico. O fluxo comercial entre Brasil e Canadá alcançou US$ 10,4 bilhões no último ano, enquanto as exportações brasileiras para o mercado canadense somaram US$ 7,3 bilhões, registrando crescimento de 14,8% e estabelecendo um recorde histórico.

Impactos esperados para o Brasil

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) avalia que o acordo poderá ampliar o acesso dos produtos brasileiros ao mercado canadense por meio da redução de tarifas e de outras barreiras comerciais.

Entre os setores potencialmente beneficiados estão a agropecuária, a indústria de alimentos e segmentos ligados à exportação de commodities.

A entidade destaca que a abertura comercial pode facilitar a entrada de produtos agrícolas e pecuários brasileiros em um mercado com elevado poder de compra.

Oportunidades relacionadas à cooperação tecnológica. O acordo prevê instrumentos para ampliar o intercâmbio de conhecimento em áreas como agricultura, inovação e produtividade, criando novas possibilidades de integração econômica entre os dois mercados.

Outro aspecto destacado pela entidade é a previsibilidade regulatória. Com regras comuns para diversos setores, empresas brasileiras passariam a operar em um ambiente com maior segurança jurídica para investimentos e exportações.

Comparação com o acordo Mercosul-União Europeia

O Brasilianista lembra que o tratado com o Canadá possui diversas semelhanças com o acordo firmado entre Mercosul e União Europeia, embora em escala menor.

Assim como ocorre no acordo europeu, as negociações com os canadenses não se limitam à redução de tarifas de importação e exportação.

O texto também inclui temas relacionados a serviços, investimentos, compras governamentais, cooperação econômica e harmonização regulatória.

A principal diferença está no tamanho dos mercados envolvidos. O acordo Mercosul-União Europeia reúne cerca de 718 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) conjunto estimado em US$ 22,4 trilhões, sendo considerado um dos maiores tratados comerciais do mundo.

No caso canadense, embora o mercado seja menor, o interesse estratégico é relevante para os dois lados. O Canadá busca reduzir sua dependência econômica dos Estados Unidos, enquanto o Mercosul procura ampliar sua presença em mercados desenvolvidos e atrair investimentos estrangeiros.

Entraves lembram desafios enfrentados pela União Europeia

As dificuldades envolvendo o setor agropecuário lembram parte das discussões observadas durante a negociação entre Mercosul e União Europeia. Em ambos os casos, o acesso a mercados agrícolas aparece entre os temas mais sensíveis.

O Brasilianista mostrou que países europeus como França, Polônia, Hungria, Áustria e Irlanda manifestaram resistência ao acordo europeu devido a preocupações relacionadas à concorrência de produtos agropecuários do Mercosul.

Entre os argumentos apresentados estavam o receio de perda de competitividade para agricultores locais e questionamentos relacionados a padrões regulatórios e sanitários.

Embora o contexto canadense seja diferente, as negociações sobre carnes demonstram que o setor agrícola continua sendo um dos principais pontos de atenção em acordos comerciais de grande porte.

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