A nova tarifa global de 15% sobre importações nos Estados Unidos, anunciada pelo governo do presidente Donald Trump, deve começar a valer ainda nesta semana e pode permanecer em vigor por alguns meses enquanto a política comercial americana é reorganizada.
Segundo o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, a taxa funciona como uma solução temporária após a Suprema Corte derrubar parte das tarifas impostas anteriormente pela administração Trump.
A expectativa do governo é que o sistema seja ajustado gradualmente ao longo de cerca de cinco meses. A mudança tem potencial de alterar o comércio internacional e afetar empresas que exportam para o mercado americano. As informações são do InfoMoney.
Tarifa provisória entra em vigor
Segundo Bessent, a medida será temporária enquanto o governo redefine sua estratégia comercial após o revés na Suprema Corte americana.
O novo imposto de 15% busca preservar parte do impacto econômico das tarifas anteriores, que haviam sido aplicadas a vários parceiros comerciais.
De acordo com Scott, a expectativa é que o sistema tarifário seja reconfigurado ao longo dos próximos meses e que os níveis anteriores sejam retomados gradualmente.
A criação de uma tarifa uniforme sobre importações altera o custo de acesso ao maior mercado consumidor do mundo.
Para empresas exportadoras, isso significa rever estratégias de preços e competitividade. Empresas multinacionais também podem recalibrar cadeias de produção e logística internacional.
Nova política tarifária muda equilíbrio do comércio global
Como divulgado pelo O Brasilianista, a criação da tarifa global ocorreu após a Suprema Corte americana barrar o chamado tarifaço que havia sido imposto anteriormente pela administração Trump.
Como resposta, o presidente anunciou inicialmente uma taxa global de 10% sobre produtos importados. Menos de 24 horas depois, elevou a proposta para 15%.
Segundo o governo americano, o objetivo da medida é corrigir o que Trump chamou de “décadas de práticas comerciais injustas” contra os Estados Unidos.
A legislação americana permite que esse tipo de tarifa seja aplicado por até 150 dias. Durante esse período, o governo pode negociar novos acordos comerciais ou apresentar novas propostas ao Congresso.
Brasil pode ganhar competitividade nas exportações
Como informado pelo O Brasilianista, apesar da elevação da tarifa global, o governo brasileiro avalia que a nova política pode favorecer alguns setores da economia nacional.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a padronização das tarifas reduz o peso de sobretaxas específicas que atingiam produtos brasileiros.
Antes da mudança, parte das exportações do Brasil para os Estados Unidos enfrentava tarifas que chegavam a 40% ou até 50%.
Com a nova regra, uma parcela das vendas externas passa a pagar taxas entre 10% e 15%. Dados do governo indicam que cerca de US$ 9,3 bilhões em exportações brasileiras passam a operar em condições mais equilibradas no mercado americano.
Diversos setores industriais podem ser beneficiados pela nova estrutura tarifária. Entre eles estão:
- máquinas e equipamentos;
- calçados;
- móveis;
- confecções;
- madeira;
- produtos químicos;
- rochas ornamentais.
No setor de maior valor agregado, as aeronaves passam a ter tarifa zero, o que amplia a competitividade de fabricantes brasileiros.
No agronegócio, produtos como café solúvel, pescados e mel também passam a competir com taxas menores.
Governo brasileiro vê oportunidade de ampliar comércio
Como O Brasilianista já mostrou, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, afirmou que a nova tarifa global favorece o Brasil ao aplicar regras iguais para todos os exportadores.
Segundo ele, a mudança reduz distorções que colocavam produtos brasileiros em desvantagem frente a concorrentes internacionais.
Antes da padronização, empresas brasileiras pagavam tarifas mais altas que outros fornecedores em determinados setores.
Com a nova estrutura, o Brasil recupera competitividade em diversas cadeias industriais. De acordo com Alckmin, o cenário pode gerar mais exportações e ampliar oportunidades de emprego e renda no país.
O ministro também destacou que os Estados Unidos são um dos principais compradores de produtos industrializados brasileiros.

