Após a tentativa de suicídio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” e preso por estar envolvido no caso do Banco Master, o escândalo toma uma proporção muito maior e inusitada na história recente do Brasil.
Sicário, ajudante de Vorcaro para cumprir ameaças e violências contra supostos adversários do empresário, tentou se matar na Superintendência Regional da Polícia Federal (PF) em Minas Gerais (MG), na tarde da última quarta-feira (04).
De acordo com o parecer do relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, o homem fazia parte de uma estrutura de vigilância e coerção privada vinculada às empresas do banqueiro chamada de “A Turma”.
Luiz Phillipi seria responsável pela “execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado”, conforme expressa a decisão de Mendonça.
“A Turma” atuava na coleta de informações e monitoramento de pessoas consideradas contrárias a Vorcaro, como autoridades e jornalistas. Um pedido de agressão a um jornalista foi encontrado nos registros telefônicos de Vorcaro.
Um escândalo maior do que o financeiro
Mesmo descontando esse episódio das gravações com ameaças a pessoas e a jornalistas, o tema já era altamente complexo por ser sistêmico. Era um episódio que atingia simultaneamente o Executivo, o Judiciário, o Legislativo, o governo do Distrito Federal e também a Faria Lima.
Agora, os desdobramentos levam o caso Master a um cenário de corrupção, tráfico de influência e criminal, poucas vezes visto em casos de fraudes financeiras no Brasil. Conforme mostrado pelo O Brasilianista, o rombo do BRB com o Master pode chegar a R$ 30 bilhões.
O que fica a partir desta situação é que a inclusão do caso na esfera das ameaças a pessoas eleva em muito a temperatura a um nível de imensa tensão, porque todos os movimentos que visavam reduzir o problema a um problema financeiro — e não de corrupção, de tráfico de influência ou de fraude financeira — passam a ter o componente das ameaças, fraudes de documentos, entre outros delitos.
Essa situação fica mais paradoxal porque as revelações postas na decisão do ministro André Mendonça são apenas uma fração do que já se sabe e do que ainda será exposto ao longo do processo. E a imprensa pressiona mais para conhecer os demais desdobramentos.
Há de se considerar que nem todo contato de empresários, banqueiros ou financistas com autoridades é necessariamente algo ligado a malfeito. Agora, o fato é que, pela intensidade da ação política evocada e pelas peripécias financeiras que foram feitas, termina-se gerando uma suspeita — de que algo de errado possa ter acontecido nessas relações.
O fato é que tanto as revelações de natureza ameaçatória quanto a tentativa de suicídio do comparsa, que ainda está em morte cerebral, agregam uma complexidade enorme ao caso.
Vorcaro preso novamente
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal em São Paulo, na manhã desta quarta-feira (4). A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e marca a terceira fase da operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras bilionárias.
O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025 após suspeitas de gestão fraudulenta. A PF estima prejuízos de até R$ 41 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), com bloqueio de bens no valor de R$ 22 bilhões nesta fase.
A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF) desde fevereiro de 2026, após saída de Dias Toffoli. A decisão atende pedido da PF para aprofundar provas, incluindo análise de celulares e contatos de Vorcaro.
Antes da nova prisão, Vorcaro usava tornozeleira eletrônica e cumpria medidas cautelares impostas pela Justiça após prisões anteriores em 2025.
Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, CEO da Moriah Assets e pastor evangélico, está sendo procurado pela PF. Ele também foi alvo em fases anteriores da operação, com prisões temporárias em aeroportos, mas nega envolvimento na gestão do banco.
A PF cumpre 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais, além de prisões preventivas e afastamentos de cargos públicos. A defesa de Vorcaro pode recorrer.

