A guerra no Oriente Médio pode tomar rumos que transcendem os conflitos armados e podem afetar diretamente no abastecimento de água nos países do Conselho de Cooperação do Golfo. Apesar dos países possuírem grandes riquezas, a falta de recursos hídricos naturais e a dependência de processos de dessalinização da água do mar tornam o abastecimento vulnerável, principalmente em momentos de conflitos.
Segundo artigo publicado na Bloomberg, desde da década de 1970 a região do Golfo tem investido milhões para financiar estações de dessalinização. Atualmente, a região, marcada pela falta de chuva e evaporação rápida da água, mantém em funcionamento cerca de 450 instalações, que cumpre o abastecimento da considerada pelos próprios habitantes a maior riqueza natural do mundo: a água potável.
Dependência da dessanilização
Dados apontam, que nos Emirados Árabes Unidos, 42% da água potável provém de processos de dessalinização. No Kuwait, a dependência é ainda maior, alcançando o patamar de cerca de 90%. Já em Omã, aproximadamente 86% da água consumida é obtida por esse método, enquanto na Arábia Saudita o índice é de cerca de 70%.
O processo é utilizado em 80% dos países do mundo, com destaque par a Arábia Saudita, que fica em primeiro lugar na lista de maior dependência da dessalinização. Em seguida em Emirados Árabes, em segundo lugar, e China e que fica em terceiro lugar. No top dez aparece ainda Espanha, Israel, Kuwait, Catar, Argélia, Egito e Omã.
Instalações de dessalinização já foram atacadas
Neste momento, além do petróleo, o Irã pode utilizar dessa dependência de água como arma estratégica contra a região. O país, principal ator do conflito entre os Estados Unidos, que teve início no dia 28 de fevereiro, controla a costa norte do Golfo Pérsico. Acontece que as estações do processo de captura da água do mar são naturalmente posicionadas à costa, o que as tornam facilmente vulneráveis à ataques.
Esse tipo de arma, considerada de alto poder destrutivo por colocar em risco recursos naturais para a sobrevivência humana, já foi utilizada em conflitos em um outro momento da história. Conforme informações do Jornal Econômico, durante a Guerra do Golfo, que ocorreu em 1991, tropas do Iraque abriram deliberadamente um oleoduto kuwaitiano, o que acabou despejando petróleo no Golfo Pérsico, com o objetivo de prejudicar as estações de dessalinização sauditas localizadas nas proximidades.
Processo de dessalinização
A dessalinização tem um objetivo claro: gerar água potável de qualidade. Para isso, é feita a filtragem da água do mar para retirada do sal. Como já mencionado acima, cada vez mais países dependem e utilizam desse recurso para abastecer a população.
Isso porque de toda a água do globo terrestre, apenas 0,5% corresponde a água doce utilizável, segundo informações da Organização das Nações Unidas (ONU). Há duas formas de dessalinização, a primeira consiste em aplicar uma pressão que exige a saída da água e utiliza de membrana para impedir a passagem do sal. Já a segunda trabalha o processo de condensação, a água esquenta, evapora e depois é retornada como água doce.
Vale lembrar que essa “limpeza” não serve apenas para água que será consumida, mas também para higiene e cozinha, por exemplo.

