A mudança de regime ocorrida em 1979 transformou o Irã em uma república islâmica sob influência direta do clero.
A nova estrutura política colocou os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário sob supervisão de lideranças religiosas, os aiatolás.
Com a ruptura diplomática com os Estados Unidos após a revolução, Washington adotou sanções econômicas imediatas.
As medidas incluíram o congelamento de aproximadamente US$ 12 bilhões em ativos iranianos e a interrupção das importações de petróleo do país.
Ao longo das décadas seguintes, novas restrições foram aplicadas por governos americanos e por organismos internacionais.
Em 1995, empresas dos Estados Unidos foram proibidas de investir no setor energético iraniano. Mais tarde, em 2006, a Organização das Nações Unidas (ONU) e a União Europeia adotaram sanções adicionais relacionadas ao programa nuclear de Teerã.
Esse ambiente limitou o acesso do país a capital internacional, tecnologia e parcerias comerciais. O isolamento reduziu a capacidade de modernização industrial e ampliou a dependência da economia iraniana do petróleo.
Dados do Banco Central do Irã indicam que o Produto interno bruto (PIB) do país cresceu em média 1,9% ao ano entre 1979 e 2020, muito abaixo da expansão anual de 9,1% registrada entre 1960 e 1979, período anterior à revolução. As informações são da EXAME.
Protestos e deterioração econômica recente
Segunda a BBC, a economia iraniana passou a enfrentar pressões adicionais nos últimos anos. A desvalorização da moeda local e o aumento da inflação desencadearam protestos populares em diversas cidades.
No final de 2025, comerciantes e trabalhadores foram às ruas de Teerã após a forte queda do rial no mercado paralelo.
A moeda atingiu níveis históricos de desvalorização, enquanto os preços de alimentos e produtos básicos avançaram rapidamente.
A inflação chegou a cerca de 40%, elevando o custo de itens essenciais como óleo de cozinha e carne. Esse ambiente de alta de preços reduziu o poder de compra da população e intensificou a insatisfação social.
Ao mesmo tempo, as sanções ligadas ao programa nuclear agravaram uma economia já pressionada por problemas internos, incluindo denúncias de má gestão e corrupção.
Origem da ruptura com o Ocidente
Antes da revolução de 1979, o Irã mantinha relações estreitas com os Estados Unidos e outros países ocidentais.
O país era governado pelo xá Mohammad Reza Pahlavi, que conduziu um projeto de modernização econômica e social.
O cenário começou a mudar após décadas de insatisfação política e social. Protestos reuniram grupos com diferentes ideologias, desde movimentos religiosos até setores de esquerda e nacionalistas.
Nesse contexto, o líder religioso Ruhollah Khomeini se tornou uma figura central da revolução. Após retornar do exílio em 1979, ele liderou o processo que culminou na criação da República Islâmica.
A ruptura com os Estados Unidos se aprofundou poucos meses depois, quando estudantes invadiram a embaixada americana em Teerã e mantiveram diplomatas reféns por mais de um ano.
O episódio levou ao rompimento formal das relações diplomáticas entre os dois países. O Irã passou a enfrentar barreiras comerciais e financeiras que limitam sua integração com mercados globais.
A estrutura de poder liderada pelos aiatolás
De acordo com a BBC, o sistema político iraniano atual foi moldado diretamente pela revolução. Desde então, a figura central do poder é o Líder Supremo, cargo ocupado inicialmente por Ruhollah Khomeini e depois por Ali Khamenei.
O título de aiatolá, no entanto, não é originalmente político. Trata-se de uma designação religiosa dentro do islamismo xiita atribuída a estudiosos reconhecidos por seu profundo conhecimento da lei islâmica.
No Irã pós-1979, essa autoridade religiosa foi integrada ao sistema de governo. O Líder Supremo exerce influência sobre instituições políticas, forças armadas e estruturas de supervisão do Estado.
Essa fusão entre religião e política molda decisões estratégicas do país, incluindo políticas econômicas e relações internacionais.
Para empresas estrangeiras e investidores, isso significa que decisões econômicas muitas vezes estão ligadas a considerações ideológicas e estratégicas, o que pode alterar regras de mercado de forma repentina.
Conflitos e impactos na economia global
Para a Agência Brasil, a instabilidade envolvendo o Irã também tem potencial para afetar mercados internacionais, especialmente no setor energético.
O professor do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da UFRJ, Carlos Eduardo Martins, destacou que a região possui importância estratégica para o comércio mundial de petróleo.
“O fechamento do Estreito de Ormuz afeta profundamente a base de alianças internacional dos Estados Unidos, pois afeta a Europa e a popularidade das lideranças políticas europeias. E uma elevação do preço do petróleo também pode impactar a inflação norte-americana, levando a uma posição muito difícil para Trump nas eleições de novembro, para as quais ele não parece bem situado”, afirmou.
Na prática, tensões envolvendo o Irã podem provocar oscilações no preço do petróleo e influenciar cadeias globais de energia.
Para investidores e empresas, esse fator amplia a percepção de risco no Oriente Médio e pode gerar volatilidade nos mercados financeiros internacionais.

