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Geopolítica

Deportação de Franklin Martins no Panamá expõe tensão migratória na região

Ex-ministro do governo Lula foi impedido de seguir viagem durante conexão internacional

Deportação de Franklin Martins no Panamá expõe tensão migratória na região

Na última sexta-feira (06) o jornalista Franklin Martins, que comandou a Secretaria de Comunicação Social no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi deportado do Panamá.

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O episódio ocorreu durante uma conexão no aeroporto da Cidade do Panamá, quando ele seguia do Rio de Janeiro para a Cidade da Guatemala, onde participaria de um evento.

Após ser abordado por agentes de imigração, acabou impedido de continuar a viagem e retornou ao Brasil. As informações são do BNews.

Como aconteceu a abordagem?

Segundo o relato do ex-ministro, policiais à paisana verificavam passaportes no aeroporto quando analisaram seu documento e pediram que ele os acompanhasse.

Em seguida, foi submetido a questionamentos sobre o motivo da viagem e também sobre uma prisão ocorrida em 1968, durante o período da ditadura militar brasileira.

Posteriormente, foi informado de que não poderia continuar a viagem e seria deportado de volta ao Rio de Janeiro.

Histórico de Martins

O episódio também trouxe à tona o histórico político do jornalista. Em 1969, ele participou do sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles B. Elbrick, durante a ditadura militar.

O diplomata foi libertado após negociação que resultou na soltura de presos políticos brasileiros. Por causa desse episódio histórico, Franklin Martins possui restrições de entrada nos Estados Unidos.

Após o ocorrido, o ex-ministro acionou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil para solicitar esclarecimentos ao governo panamenho.

Retenção ocorreu durante conexão aérea

De acordo com o portal InfoMoney, os policiais indicaram que a decisão estava baseada em uma lei migratória de 2008 que impede a entrada ou conexão de estrangeiros com antecedentes relacionados a crimes considerados graves.

Ele também afirmou que solicitou contato com a Embaixada do Brasil no Panamá, mas disse que o pedido não foi autorizado pelos agentes no aeroporto.

Após a repercussão do caso, o governo do Panamá enviou uma carta oficial ao Itamaraty com um pedido de desculpas.

“O ex-ministro será sempre bem-vindo no Panamá”, afirmou o chanceler Javier Eduardo Martínez-Acha Vásquez. O documento também ressaltou a relação diplomática entre os dois países.

“As relações entre nossos países atravessam um excelente momento, caracterizado por uma cooperação estreita, um diálogo político fluido e uma amizade sincera entre nossos governos e entre os presidentes de ambas as nações”, escreveu o chanceler.

O episódio gerou reações no Brasil. O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, classificou a retenção como injustificada e criticou a decisão das autoridades migratórias.

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) também divulgou carta aberta ao embaixador do Panamá no Brasil criticando a deportação e afirmando que o jornalista foi impedido de se comunicar com representantes diplomáticos brasileiros.

Visita recente de Lula ao Panamá

Como divulgado pelo O Brasilianista, em janeiro deste ano, o presidente Lula realizou uma viagem oficial ao Panamá para participar do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe e avançar em negociações voltadas ao fortalecimento das relações econômicas entre os dois países.

Durante a visita, foi firmado um acordo bilateral com o objetivo de ampliar a proteção jurídica e facilitar investimentos recíprocos, criando condições mais seguras para empresas brasileiras que operam no país centro-americano e para investidores panamenhos interessados no mercado brasileiro.

A agenda marcou a primeira visita de Lula ao Panamá neste mandato. Além da participação no encontro econômico regional, o presidente cumpriu compromissos institucionais e reuniões oficiais voltadas à ampliação da cooperação comercial e logística.

Dados divulgados pelo governo brasileiro indicam que o intercâmbio comercial entre os dois países apresentou forte expansão no último ano, impulsionado principalmente pelas exportações brasileiras de petróleo e derivados.

Além disso, o Panamá se consolidou como um destino relevante para investimentos brasileiros no exterior.

O país também exerce papel importante como plataforma logística regional, tanto pelo funcionamento do Canal do Panamá quanto pela movimentação do Aeroporto Internacional de Tocumen, um dos principais hubs de conexão aérea nas Américas.

Outro fator considerado estratégico nas relações entre os dois países é a condição do Panamá como Estado associado ao Mercosul.

Essa participação abre espaço para ampliar negociações comerciais e fortalecer a integração econômica entre países da América Latina e da América Central.

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