Publicidade
Geopolítica

Por que água vale mais que petróleo no Oriente Médio?

O território apresenta um dos menores índices de consumo de água doce per capita do mundo

Por que água vale mais que petróleo no Oriente Médio?

O Oriente Médio detém alguns dos recursos de petróleo e gás de menor custo do mundo, sendo responsável por cerca de 30% da produção global de petróleo e 17% da produção global de gás natural, em 2024, segundo informações da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês). Apesar da riqueza, os países situados entre os continentes asiático, europeu e africano, são pobres em água.

Publicidade

O território, considerado uma das regiões mais secas do mundo, é marcado por um clima árido, com temperaturas elevadas ao longo do ano e baixa incidência de chuvas. Além disso, o local enfrenta limitações naturais na disponibilidade de recursos hídricos a partir da falta de rios e lagos. Nesse cenário, diversos países convivem com um quadro crítico de escassez de água durante todo o ano, o que faz com que o recurso seja considerado, em muitos casos, mais valioso do que o próprio petróleo.

Investimento em dessalinização

De acordo com a Agência Internacional de Energia, o Oriente Médio apresenta um dos menores índices de consumo de água doce per capita do mundo. A escassez hídrica praticamente obriga os países da região a depender cada vez mais do processo de dessalinização, no qual a água do mar é transformada em água potável, utilizada tanto para o consumo diário como para atividades econômicas.

Conforme explicado pelo O Brasilianista, a falta de água faz com que países do Oriente Médio invistam milhões, obtidos a partir da venda de petróleo, em centros de dessalinização. Atualmente, a região mantém em funcionamento cerca de 450 instalações de dessalinização, nos Emirados Árabes Unidos, aproximadamente 42% da água potável provém de processos de dessalinização.

No Kuwait, a dependência é ainda maior, alcançando o patamar de cerca de 90% e em Omã, aproximadamente 86% da água consumida é obtida por esse método, enquanto na Arábia Saudita o índice é de cerca de 70%. A demanda global de energia para dessalinização quase dobrou desde 2010, e as tendências atuais mostram que pode acontecer uma nova duplicação até 2030.

Mudanças climáticas

O cenário torna-se ainda mais preocupante diante das mudanças climáticas observadas em todo o planeta terra, que podem aumentar a pressão sobre os recursos hídricos e energéticos principalmente na região. Segundo análise da IAE, um desafios para a utilização de água em países, que já são acometidos pela escassez de recursos hídricos, são as fortes alterações no clima, com secas e inundações mais frequentes.

Neste cenário é possível observar um série de fatores que contribuem para o agravamento da escassez hídrica. Entre eles estão a elevação do nível, combinada com a extração intensiva da água subterrânea, fenômenos que podem provocar a intrusão de água salgada em diversas localidade e, consequentemente, reduzir a disponibilidade de água doce.

“O aumento das temperaturas e da aridez em alguns lugares pode agravar a pressão, causando picos na demanda por água, ao mesmo tempo que a água superficial evapora em ritmo acelerado. A infraestrutura energética construída para um clima mais frio e ameno pode não ser mais confiável ou resiliente o suficiente à medida que as temperaturas aumentam e os eventos climáticos se tornam mais extremos”, aponta análise da IAE.

Acompanhe as redes sociais do O Brasilianista