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Economia

Brasil e China anunciam fábrica de máquinas agrícolas no RJ; veja o que se sabe até agora

O local terá capacidade de produzir até 5 mil unidades por ano de modelos com potência de 25 e 50 cavalos

Brasil e China anunciam fábrica de máquinas agrícolas no RJ; veja o que se sabe até agora

O projeto que prevê a construção da primeira fábrica de máquinas agrícolas da China no Brasil foi assinado por meio de três contratos em Pequim, nesta última sexta-feira (06). Com investimento previsto de R$ 200 milhões e expectativas de gerar pelo menos 500 novos empregos indiretos, a fábrica será instalada no distrito de Ponta Negra, em Maricá, no Rio de Janeiro.

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Voltada exclusivamente para atender à agricultura familiar, a iniciativa conta com o apoio do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A fábrica faz parte de uma cooperação entre a empresa Sinomach, que é considerada uma das principais indústrias do setor de maquinário da China, com a empresa brasileira de ciência e tecnologia OZ Earth, segundo informações do Brasil de Fato. A unidade de produção conta também com a parceria estratégica da Prefeitura da cidade.

Máquinas serão destinadas a associações e cooperativas

O local terá capacidade de produzir até 5 mil unidades por ano de modelos com potência de 25 e 50 cavalos. Fabricadas para serem utilizadas na agricultura de pequena escala, as máquinas serão destinadas para associações e cooperativas de reforma agrária e da agricultura familiar tradicional. O objetivo é beneficiar a população por meio de políticas públicas, bem como de programas de compras estatais.

De acordo com o dirigente do Setor de Produção do MST, Cedenir de Oliveira, a parceria representa um avanço importante para as pessoas que vivem da agricultura familiar. “Hoje é um dia histórico para a luta camponesa brasileira”. A nossa luta, mais do que a conquista da terra, é desenvolver um projeto de nação. Um projeto de nação passa efetivamente pela industrialização do país”.

Foram firmados três contratos, que incluem o contrato-mestre, responsável por estabelecer os pontos jurídicos e comerciais da parceria, bem como o contrato Semi Complete Knockdown (SKD, na sigla em inglês), e o contrato da linha de montagem, explica a gerente-geral da Oz Máquinas, Maria Gomes. “Essa parceria é a consolidação e a possibilidade de concretização de um projeto político-tecnológico para a agricultura familiar: a mecanização”.

Processos

A expectativa é que a produção evolua gradualmente até alcançar um equipamento considerado plenamente nacional ao longo de três anos. Nesse processo, será adotado o modelo de comércio internacional SKD, no qual os produtos são exportados parcialmente desmontados, em módulos e conjuntos pré-montados, para posterior montagem no país de destino.

O próximo passo será a nacionalização progressiva da produção em conforme estabelecida pela legislação brasileira. O objetivo do projeto é alcançar pelo menos 60% de conteúdo nacional. Segundo o advogado Samuel Asafe, que fez parte das negociações entre as duas empresas, o intuito é conseguir fazer a nacionalização de peças do SKD e de partes desse processo de industrialização que serão desenvolvidas no país.

Conforme aponta Maria Gomes, a mecanização da agricultura familiar no Brasil tem que ser pensada para além do aumento de produtividade, mas também como possibilidade de aumento da qualidade de vida para as famílias que dependem do agronegócio.

“O nosso debate da mecanização não é a máquina como fim, mas como meio de desenvolvimento no campo, garantindo a produção agroecológica, a soberania alimentar, garantindo as outras dimensões da vida na possibilidade da produção de alimentos saudáveis, agroecológicos, base da alimentação da população brasileira a partir da agricultura familiar”.

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